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Itaú já vê menor demanda por crédito com famílias mais endividadas

Banco conseguiu manter índice de inadimplência estável no 1º trimestre, mas admite desafios

Itaú: lucro de R$ 12,3 bilhões no 1º trimestre de 2026 (Itaú/Wikimedia Commons)

Itaú: lucro de R$ 12,3 bilhões no 1º trimestre de 2026 (Itaú/Wikimedia Commons)

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 6 de maio de 2026 às 09h55.

O Itaú Unibanco pode até não ter batido recorde nominal de lucro no 1º trimestre de 2026, mas o presidente-executivo do banco, Milton Maluhy Filho diz que o balanço não se enfraqueceu. Segundo ele, a criação de valor no período foi recorde, com rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE) atingindo 27,6% no Brasil. O ROE consolidado do banco

Maluhy também destacou que o lucro do primeiro trimestre foi afetado pela antecipação de dividendos feita pelo banco. Expurgado esse efeito, o resultado líquido teria alcançado R$ 12,7 bilhões, o que, segundo ele, representaria também um recorde histórico na série do banco. A cifra ficou em R$ 12,3 bilhões.

Apetite por crédito mantido, mas com vigilância

Sobre a política de crédito, o executivo afirma que o guidance divulgado no início do ano está mantido, e não houve mudança no apetite por crescimento de carteira por parte do banco. As carteiras voltadas aos públicos-alvo do banco crescem em dois dígitos, o que Maluhy classificou como evidência de que a estratégia de qualidade, rentabilidade e engajamento tem funcionado.

O executivo explica que não é necessariamente a renda que define o target do banco. "Tem baixa renda que é público-alvo e tem média que deixou de ser", explica. "O público de média e alta renda são importantes para o futuro do banco, mas tem outros", disse o executivo, dando como exemplo os aposentados pelo INSS.

No entanto, ele reconheceu que o apetite do banco é dinâmico e que ajustes pontuais ao longo do ciclo são naturais diante de variações no cenário micro ou macroeconômico. "O balanço do banco está muito protegido em todas as linhas", afirmou, sinalizando que a solidez patrimonial é o escudo do Itaú diante de eventuais turbulências.

Famílias mais endividadas no radar

O CEO admitiu que o ambiente atual, marcado por juros elevados, desafios globais e incertezas domésticas, já se traduz em menor demanda por crédito por parte dos clientes.

"E a gente observa nas famílias um aumento, sim, de comprometimento de renda, maior endividamento", afirmou.

A mensagem foi de que acompanhar e orientar o cliente para uma boa disciplina financeira faz parte do ciclo e da estratégia de longo prazo do banco.

Mercado de capitais preocupa

Outro ponto de atenção destacado por Maluhy foi o mercado de capitais, que apresentou queda relevante de volumes no período, comportamento bem distinto do observado ao longo de 2025.

O executivo atribuiu a retração ao nível elevado de juros, que torna o ambiente menos favorável para emissões e operações estruturadas.

Para os próximos trimestres, o banco promete manter disciplina na alocação de capital e gestão de risco, enquanto monitora a evolução desse mercado.

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