Irani (RANI3): lucro no 2º tri é 25% maior e chega a R$ 84,6 milhões

Companhia estima ganhos ainda mais significativos ao longo dos próximos trimestres, com demanda aquecida e reajustes de preços
Irani Papel: expectativa de alta para os próximos trimestres e de projetos de inovação começarem a gerar Ebitda (Irani Papel e Embalagem/Divulgação)
Irani Papel: expectativa de alta para os próximos trimestres e de projetos de inovação começarem a gerar Ebitda (Irani Papel e Embalagem/Divulgação)
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Karina SouzaPublicado em 29/07/2022 às 08:14.

A Irani (RANI3) conseguiu manter a trajetória crescente de resultados no segundo trimestre de 2022. O lucro líquido da companhia, de R$ 84,6 milhões, representa alta de 25% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Em relação ao primeiro trimestre deste ano, entretanto, há redução de 24,6%, em razão do reconhecimento de um crédito tributário nos primeiros três meses do ano, de R$ 11,3 mil e, também, pela provisão de participação dos administradores reconhecida nos três meses encerrados em junho, no montante de R$ 11,2 mil. 

Olhando somente para os indicadores operacionais, a receita cresceu 6,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando R$ 428,9 milhões. As vendas para o mercado interno (a maior parte da receita) tiveram alta de 7,9% no período, para R$ 357,7 milhões, enquanto as vendas para o mercado externo tiveram queda de 6,9%, fechando o trimestre em R$ 71,1 milhões. Em relação a este último ponto, pesou na conta a desvalorização do câmbio – um fator que já mostra recuperação neste início de terceiro trimestre e deve colaborar de forma positiva para os resultados dos próximos três meses, segundo Sérgio Ribas, CEO da Irani Papel e Embalagem. Hoje, o principal produto em receita para a companhia é o papelão ondulado, responsável por 54% da receita líquida. O segmento de papel para embalagens sustentáveis (papel) representa 35% e, por último, vem o segmento de resinas sustentáveis, com 11%.

A companhia contou com um fator importante no período para aumentar a rentabilidade em patamares acima do ganho de receita: a queda no preço das aparas, que saíram de um patamar próximo de R$ 2.000/tonelada para ficarem em torno de R$ 750 a R$ 800 por tonelada, algo próximo ao registrado no período pré-pandemia. Com reajustes de preço que não acompanharam na mesma medida essa redução, o Ebitda ajustado fechou o trimestre em R$ 144,8 milhões, alta de 21,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. A margem Ebitda fechou o período em 33,8%, alta de 4,3 pontos percentuais no comparativo anual. A margem bruta teve alta de 10,2 p.p. no período, fechando o trimestre em 48,3%. 

Para os próximos trimestres, segundo Ribas, a expectativa é de resultados ainda melhores do que os registrados, já que se trata de um período de demanda aquecida e de reajuste de preços de venda. Basicamente, com todo o setor trabalhando em ocupação plena de capacidades, clientes têm alternativas de compra reduzidas e isso favorece o ambiente de aumento de preços. 

“O mercado está muito demandado. A partir do mês de maio, percebemos recuperação importante e em junho veio uma expedição de papel ondulado no mercado superior ao mesmo período do ano passado, sendo o melhor junho da história. Vemos uma recuperação forte da demanda, com uma dinâmica muito favorável de receita para o segundo semestre. Isso pode trazer alguma pressão sobre o preço das aparas, mas os reajustes devem conter o avanço e preservar margens”, diz Ribas, à Exame Invest. 

Na outra ponta, a de dívidas, a companhia encerrou o trimestre com R$ 619,8 milhões, mais do que o dobro do registrado no trimestre anterior. O aumento está relacionado, principalmente, aos investimentos na Plataforma Gaia, portfólio de projetos de expansão da companhia para aumentar competitividade, capacidade de produção e energética. Para ter uma ideia, do total da dívida, cerca de R$ 515 milhões são dedicados a essa iniciativa de inovação. 

Enquanto os novos projetos não começam a gerar Ebitda, cresce a alavancagem: passou de 0,90 no primeiro trimestre do ano para 1,1 vez nos três meses encerrados em junho. O número ainda está longe do patamar máximo estabelecido pela empresa, de 2,5 vezes – um ‘teto’ que a companhia não deve atingir, segundo Ribas. 

Uma das razões pelas quais isso não deve acontecer, aponta o executivo, é o cronograma de entregas da Plataforma Gaia ao longo dos próximos meses. O projeto Gaia II, de Expansão de Embalagem em Santa Catarina, deve apresentar evolução no número de volumes produzidos já a partir do próximo trimestre – atendendo à demanda aquecida do mercado. 

Em seguida, entra em ação o Gaia III, da Reforma da Máquina 2, previsto para entrar em operação plena no mês de outubro. A máquina deve começar a operar em setembro, em fase de testes e de curva de aprendizado. Para atender à demanda dos clientes nesse período, a Irani aumentou os estoques produzidos desde já, a partir de um plano conjunto estabelecido com eles em termos de previsão de demanda.

Por último, entra em operação o Gaia I, de caldeiras, deve entrar em operação a partir do primeiro semestre do ano que vem. Somados, os três projetos totalizam aproximadamente 60% dos investimentos feitos pela companhia.

 “Estamos muito felizes com os resultados da companhia e dos projetos. Havia uma expectativa de que fosse mais difícil manter o patamar de rentabilidade que entregamos há cinco trimestres e estamos vendo que ele se mantém. Daqui para frente, nossa estimativa é de aumento na rentabilidade, de olho em uma demanda mais forte e em um dólar melhor”, diz Ribas.