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IPOs retornam, mas são traídos por conjuntura

Operações ficam abaixo do esperado ao enfrentarem a saída maciça dos investidores estrangeiros

Os papéis da Arezzo foram vendidos a 19 reais, no teto das estimativas (entre 15 e 19 reais). Uma exceção em 2011. (Marcel Salim)

Os papéis da Arezzo foram vendidos a 19 reais, no teto das estimativas (entre 15 e 19 reais). Uma exceção em 2011. (Marcel Salim)

DR

Da Redação

Publicado em 11 de fevereiro de 2011 às 18h26.

São Paulo – O ritmo de IPOs (Ofertas Iniciais de Ações, na sigla em inglês) retornou com força na BM&FBovespa (BVMF3). Os mais animados projetam até um ano melhor que o visto em 2007, quando 64 empresas debutaram na bolsa brasileira e captaram 55,6 bilhões de reais. De fato, as companhias voltaram a se lançar no mercado brasileiro este ano, quatro já o fizeram, mas o resultado certamente tem sido um pouco diferente do esperado pelos sócios das empresas, bancos de investimentos e também os flippers, nome dados aos investidores que vendem os papéis no primeiro dia de negociação.

Das quatro operações realizadas até agora, três tiveram as ações precificadas em um intervalo inferior ao estimado pelos coordenadores. A única exceção foi o IPO da Arezzo, o primeiro do ano. Os papéis foram vendidos a 19 reais, no teto das estimativas (entre 15 e 19 reais). Depois, contudo, as ofertas da Autometal, Sonae Sierra, e Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP) tiveram o preço definido abaixo do esperado pelos bancos. A QGEP, que captou 1,5 bilhão de reais, vendeu a 19 reais, abaixo do sugerido, entre 23 e 29 reais. Além disso, as ações iniciaram os negócios em baixa, assim como as outras.

“A queda recente na bolsa, talvez por Egito e em parte por resgate em mercados emergentes, fez com que ações já listadas e portanto conhecidas do mercado ficassem mais atrativas do que a entrada em um IPO”, analisa Cesar Augusto Mezomo, sócio da Victoire Brasil Investimentos. De acordo com dados da EPFR, a retirada de recursos dos fundos de ações de mercados emergentes na semana encerrada no dia 2 de fevereiro foi a mais forte em três anos. O fluxo de capital tem migrado para os mercados dos países desenvolvidos, como Estados Unidos e Japão, que têm revelado sinais mais sólidos de recuperação econômica. Foi também a décima semana consecutiva de saída de recursos dos fundos dedicados aos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China).

Ou seja, os investidores estrangeiros estão de saída, o que reduz a demanda também por operações como esta. No acumulado do ano, o saldo de capital externo na Bovespa está negativo em 976 milhões de reais. “O mercado parece ter atrasado uma correção e não ficaríamos surpresos caso ele continue fraco nas próximas semanas”, avalia Nick Robinson, gestor para América Latina da escocesa Aberdeen Asset. Outras seis empresas devem lançar ações pela primeira vez em breve na bolsa e já estão com o processo em andamento na CVM: Desenvix, CAB Ambiental, IMC, Time For Fun (T4F), Cimentos Liz e Camil Alimentos. A matéria de capa da edição atual de Exame  traz ainda outros 21 nomes que podem ir ao mercado em 12 meses. Entre elas estão a Drograria São Paulo, Azul, BMG, Pague Menos, CVC e Webjet.

“Quando o mercado está em cenários mais complicados é preciso ter um incentivo maior de preço”, explica Ivan Guetta, gestor de renda variável da GAP Investimentos. Guetta explica que entrou no IPO da Sonae Sierra porque sempre acompanhou o setor, porém nunca houve uma boa oportunidade interessante para fazer um investimento. “A Sonae saiu bem descontada em relação às empresas que negociam hoje no setor de shoppings. Foi uma oportunidade de participar de um negócio com um preço que consideramos bom. Então, foi esse o motivo”, ressalta. A GAP também participou da oferta de ações da Tecnisa. “O investidor, para entrar no IPO, precisa de um desconto com as peers listadas por falta do histórico e de relacionamento com a empresa”, lembra Mezomo.

Para Marcos Elias, sócio da Empiricus, outros fatores, como o conhecimento da marca, também influenciam no sucesso de um IPO, como no caso da Arezzo. Além disso, explica Elias, o banco de investimentos precisa trabalhar bem com os fundos. Caso um fundo tenha, por exemplo, 50 milhões de dólares para investir no IPO, dá-se apenas 45 milhões. “Para ter rali, é preciso que o fundo entre na estreia para comprar o restante com o investidor flipper vendendo”, afirma. A Empiricus sugeriu a compra de Arezzo e a venda na estreia e a distância das outras operações.

Leia Mais: Ações Hoje: Petrobras, Brasil Foods, Usiminas, Pão de Açúcar, ABC Brasil e Cielo

Portfólio: O pré-IPO da Arezzo, o mais bem sucedido de 2011

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