IPCA de março mostrará o desafio do BC antes do próximo Copom

Equipe de Macro e Estratégia do BTG Pactual espera que a inflação ao consumidor tenha acelerado para 1,35%, o que levaria a taxa em 12 meses para 11%
O reajuste da ordem de 20% dos combustíveis nas refinarias em março deve ter sido a principal fonte de pressão na inflação no mês (Leandro Fonseca/Exame)
O reajuste da ordem de 20% dos combustíveis nas refinarias em março deve ter sido a principal fonte de pressão na inflação no mês (Leandro Fonseca/Exame)
Por Da RedaçãoPublicado em 08/04/2022 06:38 | Última atualização em 08/04/2022 06:50Tempo de Leitura: 2 min de leitura

A inflação oficial ao consumidor em março será conhecida nesta sexta-feira, dia 8, às 9h, com a divulgação do IPCA pelo IBGE. Os dados podem reforçar o quão desafiador será para o Banco Central ancorar as expectativas para a inflação em 2022 e 2023 caso os números venham acima das projeções de mercado.

Na avaliação da equipe de Macro & Estratégia do BTG Pactual, o IPCA de março deve ter acelerado para 1,35%, versus 1,01% em fevereiro. Isso levaria a inflação ao consumidor em 12 meses para 11%.

"A despeito da perda de ímpeto do principal vetor altista de fevereiro -- educação --, diante da dissipação dos aumentos das mensalidades escolares, o reajuste nos preços dos combustíveis promovido pela Petrobras no mês será o principal catalisador para o avanço dos Preços Administrados e, consequentemente do índice geral", escreveram os economistas do BTG Pactual, liderados por Álvaro Frasson, no relatório Spoiler Macro distribuído no começo desta semana.

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"Além disso, o indicador de Alimentação no Domicilio deve registrar mais uma alta disseminada. No sentido oposto, é esperado um arrefecimento em Serviços e em Bens Duráveis, influência da redução do IPI, conforme apontado pelo IPCA-15. No entanto, a composição permanecerá desfavorável, com os núcleos em alta e as pressões inflacionárias ainda generalizadas", afirmaram os autores do relatório.

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, já sinalizou que os integrantes do Copom devem aumentar a taxa básica de juros, a Selic, apenas mais uma vez na reunião dos dias 3 e 4 de maio, levando a taxa de 11,75% para 12,75% ao ano. E isso encerraria o ciclo de aperto monetário. Mas números acima das expectativas de forma recorrente nos índices de inflação podem obrigá-los a mudar os planos.