Informação privilegiada? Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) abriu uma investigação sobre operações consideradas atípicas em contratos de petróleo realizadas antes de anúncios ligados à política estadunidense para o Irã (atlascompany/Freepik)
Repórter
Publicado em 18 de abril de 2026 às 14h58.
Investidores apostaram cerca de US$ 760 milhões na queda do petróleo poucos minutos antes de um anúncio-chave envolvendo o Estreito de Ormuz, em mais um movimento que levanta suspeitas sobre operações realizadas às vésperas de decisões geopolíticas relevantes no Oriente Médio.
Segundo dados da plataforma LSEG, entre 12h24 e 12h25 GMT, às 9h24 e 9h25 (no horário de Brasília), foram vendidos 7.990 contratos futuros de petróleo Brent — transações que, ao preço da época, somavam aproximadamente US$ 760 milhões.
Cerca de 20 minutos depois, às 12h45 GMT, ou 9h50, no Brasil, o ministro das Relações Exteriores do Irã informou na rede social X, antigo Twitter, que a passagem de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz estava totalmente liberada durante o restante do cessar-fogo, em alinhamento com a trégua no Líbano.
A declaração provocou uma queda imediata de até 11% no preço do petróleo nos minutos seguintes.
Não foi um caso isolado. Em 7 de abril, investidores já haviam feito apostas de cerca de US$ 950 milhões horas antes de EUA e Irã anunciarem um cessar-fogo de duas semanas.
No dia 16 de abril, a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) abriu uma investigação sobre operações consideradas atípicas em contratos de petróleo realizadas antes de anúncios ligados à política estadunidense para o Irã.
Antes disso, em 23 de março, vendas de US$ 500 milhões em apenas 15 minutos antecederam o anúncio do presidente Donald Trump de que adiaria ataques à infraestrutura energética iraniana, movimento que levou a uma queda de 15% na cotação do petróleo.
A recorrência dessas operações em momentos estratégicos tem preocupado legisladores e especialistas jurídicos nos Estados Unidos, que veem risco de uso de informações privilegiadas em mercados de derivativos, conhecidos pela alta volatilidade e menor transparência.
Além da transação no dia 7 de abril, a CFTC também investiga as operações realizadas em 23 de março.