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Investidor torce o nariz para aportes em IA e derruba ações das 'techs': Google não escapou

Movimento mostra que Wall Street está sensível a investimentos em inteligência artificial (IA)

Alphabet: números positivos não sustentam ação (Getty Images)

Alphabet: números positivos não sustentam ação (Getty Images)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 11h33.

As ações da Alphabet (GOGL34), controladora do Google, caem quase 7% no pré-mercado desta quinta-feira, 5, após a companhia reportar seu balanço. O que surpreende, no entanto, é que os resultados vieram acima do esperado por analistas, tanto em termo de receita como de lucro.

O que aconteceu foi o anúncio de um aumento expressivo de investimento para 2026. A big tech informou que pretende elevar seus aportes para algo entre US$ 175 bilhões e US$ 185 bilhões — mais que o dobro do montante aplicado em 2025.

Parte relevante desses recursos deve ser direcionada ao aumento da capacidade computacional voltada à inteligência artificial (IA) da unidade Google DeepMind, o que ainda está sendo digerido pelo mercado.

Tal movimento, que também ocorreu com a Microsoft na semana passada, mostra que Wall Street ainda está sensível aos gastos com inteligência artificial.

As ações da Microsoft registram na quinta-feira passada, 29, a maior queda em quase seis anos, após os resultados reacenderam as preocupações dos investidores sobre o retorno dos investimentos bilionários em IA. A companhia também reportou resultados acima das expectativas.

No relatório trimestral do balanço, no entanto, a Microsoft afirmou que o investimento de capital “diminuirá sequencialmente” neste trimestre, após ter reportado gastos de US$ 37,5 bilhões no último período.

O que o mercado pensa

A Alphabet havia declarado em outubro que esperava um aumento significativo nos investimentos em 2026, mas as projeções divulgadas na quarta-feira, 4, superaram as de seus concorrentes no setor.

Analistas do Deutsche Bank escreveram em relatório divulgado que a empresa “surpreendeu o mundo” com seu robusto plano de investimentos.

“Com o setor de tecnologia em constante transformação, não está claro se isso é bom ou ruim”, disseram.

Por outro lado, analistas do Barclays escreveram em relatório que o crescimento da computação em nuvem é surpreendente, medido por qualquer métrica: receita, carteira de pedidos, tokens de API inferidos, adoção corporativa do Gemini.

“Essas métricas, combinadas com o progresso da DeepMind no lado dos modelos, começam a justificar o aumento de 100% no investimento de capital em 2026”, afirmaram.

“A história da IA está melhorando enquanto a Busca está acelerando — essa é a conclusão mais importante para o GOOG”, acrescentaram.

Balanço do quarto trimestre

No balanço divulgado após o fechamento, a companhia reportou faturamento de US$ 113,83 bilhões no quarto trimestre, superando a projeção de US$ 111,43 bilhões de analistas ouvidos pela LSEG.

Dados da Street Account mostram que o Google Cloud registrou receita de US$ 17,66 bilhões, acima da expectativa de US$ 16,18 bilhões. Já a área de publicidade do YouTube somou US$ 11,38 bilhões em receita, superando a estimativa de US$ 11,84 bilhões.

Os analistas do Barclays afirmaram que os gastos com infraestrutura, DeepMind e Waymo “impactaram a lucratividade geral da Alphabet” e continuarão a fazê-lo em 2026.

Mesmo com o bom desempenho recente das empresas de tecnologia, o segmento de software acumulou uma perda de cerca de 30% em valor de mercado nos últimos três meses, destacou Michael Santoli, da CNBC.

Segundo ele, o movimento reflete o receio de que as novas ferramentas de inteligência artificial transformem profundamente os softwares atuais, elevando o nível de incerteza e risco para quem investe nessas companhias.

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