Michael Burry: investidor aposta contra 'queridinhas' da IA (Astrid Stawiarz / Correspondente/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 05h47.
Última atualização em 19 de janeiro de 2026 às 06h50.
O investidor Michael Burry, conhecido pela aposta contra o mercado imobiliário retratada em "A grande aposta", voltou a fazer alertas sobre distorções financeiras — desta vez, mirando o setor de inteligência artificial.
Em debate com o cofundador da Anthropic, Jack Clark, e o podcaster Dwarkesh Patel, Burry afirmou que empresas como Microsoft e Alphabet estão desperdiçando trilhões em chips e data centers que se tornarão rapidamente obsoletos, movidas por uma pressão competitiva sem retorno claro.
Para ilustrar o argumento, Burry recorreu a um episódio dos anos 1960 envolvendo Warren Buffett. Ao adquirir a loja de departamentos Hochschild-Kohn, Buffett teve de instalar uma escada rolante apenas porque o concorrente do outro lado da rua havia feito o mesmo — um investimento sem ganho competitivo.
“Nenhum se beneficiou. Não houve melhora durável de margem ou custo. Ambos continuaram exatamente no mesmo lugar. É assim que a maioria das implementações de IA vai terminar”, escreveu Burry em sua newsletter.
Segundo ele, o setor de tecnologia já ultrapassou a fase em que novos aportes geram valorização em bolsa. Agora começa o período em que os custos reais e a ausência de receita ficam evidentes.
Ele prevê uma queda ou estagnação no emprego tecnológico nos próximos anos, impulsionada por um “longo período de desaceleração”.
Burry nomeou Nvidia e Palantir como os “cartazes” da bolha da IA. Para ele, são empresas que se beneficiaram por acaso da estrutura que já possuíam, mas sem garantias de sustentabilidade.
A Nvidia, segundo o investidor, é uma “solução suja e faminta por energia”, temporariamente dominante até que surjam alternativas mais eficientes. Já a Palantir teria um CEO que “não demonstra confiança”, ao criticar publicamente investidores pessimistas com a ação.
O investidor listou três surpresas no ciclo recente da IA: a queda de desempenho do Google, o impacto imediato do ChatGPT, e a sobrevivência da Nvidia mesmo com soluções mais eficientes disponíveis.
Ele também ironizou a tese de que profissões técnicas seriam à prova de automação. Citou o chatbot Claude, da Anthropic, como alternativa real ao trabalho de encanadores e eletricistas em atendimentos domésticos.
Burry ainda fez um alerta sobre o uso excessivo de IA por profissionais de áreas críticas.
“A IA vai deixar as pessoas mais burras. Médicos vão esquecer o que aprenderam”, afirmou.