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Será impossível cancelar ou reduzir Auxílio Brasil no futuro, diz Meirelles

Ex-ministro falou em evento da consultoria política Eurasia

Meirelles: para o economista, o cenário mais provável é "que se mantenha o pagamento dos R$ 600 gerando um déficit fiscal (ou gasto fora do teto) de aproximadamente R$ 10 bilhões (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Meirelles: para o economista, o cenário mais provável é "que se mantenha o pagamento dos R$ 600 gerando um déficit fiscal (ou gasto fora do teto) de aproximadamente R$ 10 bilhões (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

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Carlo Cauti

19 de outubro de 2022, 18h37

O ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, declarou que é impossível cancelar ou reduzir o valor do Auxílio Brasil no futuro.

"Será impossível para o futuro presidente eleito voltar para trás e tentar reduzir o valor do Auxílio Brasil de R$ 600 para R$ 400, já que as pessoas estão contando com a continuidade desse valor", declarou Meirelles em uma reunião a portas fechadas com a consultoria política Eurasia.

Para o economista, o cenário mais provável é "que se mantenha o pagamento dos R$ 600 gerando um déficit fiscal (ou gasto fora do teto) de aproximadamente R$ 10 bilhões.

Meirelles lembrou que o teto de gastos foi aprovado em 2016, quando ele era ministro da Fazenda do governo Michel Temer, e que foi "muito importante para reestabelecer a credibilidade do Brasil".

"A aprovação do teto de gastos teve um efeito imediato sobre o nível de confiança na economia. A economia voltou a crescer de novo e muitas coisas mudaram. Esse foi um ponto crítico naquele momento", lembrou o ministro.

Segundo Meirelles, o Auxílio Brasil foi colocado "fora do teto de gastos", e o próprio teto foi aumentado de forma "artificial" para acomodar o Auxílio Brasil nos anos seguintes.

"Isso criou uma série de incertezas e é uma das razões básicas pelas quais o real acabou se depreciando, mesmo com o aumento da cotação das commodities", explicou Meirelles.

Para o ex-ministro, "agora temos despesas que estão formalmente no orçamento que precisarão ser inseridas no orçamento do ano que vem sem nenhum corte nos gastos sociais. E a questão é: quem vai fazer isso? O risco é perder as expectativas do mercado. Perder o controle das âncoras que sustentaram o nível de confiança na economia brasileira nos últimos anos. Estamos nesse cenário nesse momento".

Assessores econômicos do Lula são de esquerda, diz Meirelles

Segundo o ex-ministro, os assessores econômicos que estão auxiliando o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na campanha são de esquerda, e seria o mesmo grupo que trabalhou durante o governo Dilma Rousseff.

"O grupo que escreveu o plano econômico é o mesmo que acredita que o Estado deve dirigir a economia. Em termos práticos, são os mesmos que estão trabalhando com o Lula", disse Meirelles, que salientou "não faço parte do grupo, que eu chamo do grupo de pensadores de esquerda".

"Estamos ainda em campanha eleitoral. Lula não vai anunciar nenhum plano econômico nem os nomes de quem irá liderar a economia antes das eleições. Mesmo com a vontade ou os desejos do mercado, ele não acredita que isso teria um grande impacto na vitória eleitoral", disse Meirelles.