Ibovespa zera ganhos: indice passou a rondar a estabilidade, com leve viés de alta, em meio a um cenário ainda marcado por incertezas no exterior (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 1 de abril de 2026 às 11h48.
O Ibovespa zerou os ganhos por volta das 11h20 desta quarta-feira, 1°, e passou a rondar a estabilidade, com leve viés de alta, em meio a um cenário ainda marcado por incertezas no exterior. Às 11h43, o principal índice acionário da B3 registrava ligeira alta de 0,21%, aos 187.834 pontos, praticamente estável após abrir o dia em alta.
Mais cedo, o índice chegou a avançar, refletindo um ambiente externo mais favorável e a melhora no apetite por risco, diante de sinais contraditórios, mas ainda relevantes, sobre uma possível desescalada da guerra no Irã. O movimento, no entanto, perdeu força ao longo da manhã, acompanhando a cautela dos investidores.
Entre os destaques negativos, as ações da Petrobras, que já haviam iniciado o dia em queda, ampliaram as perdas. No mesmo horário, os papéis ordinários (PETR3) recuavam 4,25%, enquanto os preferenciais (PETR4) caíam 3,39%.
Apesar de a estatal ter elevado o preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) em cerca de 55% para as distribuidoras em abril, segundo informações da agência Reuters, numa medida bem vista pelo mercado, os papéis da companhia são pressionados pela baixa dos preços do petróleo no mercado internacional.
A Vale (VALE3), por sua vez, reduziu o ritmo de alta e subia apenas 0,35%, após ter figurado entre as principais altas no início do pregão. Já os grandes bancos sustentavam parte do desempenho do índice, embora com ganhos mais moderados.
No câmbio, o dólar mantinha o movimento de queda frente ao real, com recuo de 0,33%, cotado a R$ 5,162, também próximo da estabilidade.
Para Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, o mercado opera em compasso de espera diante das incertezas geopolíticas.
"Tanto o Ibovespa quanto o dólar estão próximos da estabilidade. O mercado ainda aguarda ansiosamente mais desdobramentos da situação do Irã como um todo. Temos muita incerteza e informações cruzadas. Ontem, houve uma alta forte com a expectativa de uma possível solução, mas ainda nada está confirmado", afirma.
Segundo ele, a atenção dos investidores se volta agora para um novo pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, previsto para esta noite. "Os Estados Unidos têm esse costume de atualizar a população sobre esse tipo de conflito, e o mercado deve reagir a isso já amanhã. Por ora, os investidores seguem cautelosos", completa.
O conflito no Oriente Médio chegou ao 33º dia com novos ataques em diferentes frentes, incluindo bombardeios de Israel contra Teerã e retaliações iranianas com mísseis. A guerra também se espalha pela região, com ações de grupos aliados de Teerã, como os rebeldes huthis no Iêmen.
Ainda assim, o mercado tem reagido a sinais de trégua. O petróleo recuou, com o barril do Brent voltando para abaixo de US$ 100, após semanas de forte volatilidade causadas, principalmente, pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo.
No radar dos investidores também estão novas declarações de Trump, que afirmou que os Estados Unidos podem deixar o conflito em até duas ou três semanas e disse que o novo líder iraniano teria solicitado um cessar-fogo, informação que não pôde ser confirmada de forma independente.
O republicano também condicionou qualquer acordo à reabertura do Estreito de Ormuz e deve fazer um pronunciamento ainda hoje com atualizações sobre a guerra.
No mês de março, marcado pela volatilidade provocada pelo início da guerra, o Ibovespa acumulou leve queda de 0,70%, interrompendo uma sequência de sete meses consecutivos de alta. Ainda assim, no acumulado de 2026, o índice mantém valorização expressiva de 16,35%.