Ibovespa tem maior queda do século e vai a 86 mil pontos

Principal índice da B3 zera ganhos de 2019 e volta para mesma pontuação de 2018
Ibovespa: o principal índice da Bolsa recuou 12,17% e encerrou em 86.067 pontos (Getty Images/Getty Images)
Ibovespa: o principal índice da Bolsa recuou 12,17% e encerrou em 86.067 pontos (Getty Images/Getty Images)
Por Guilherme Guilherme, Natália Flach, Karla MamonaPublicado em 09/03/2020 17:24 | Última atualização em 09/03/2020 19:08Tempo de Leitura: 4 min de leitura

São Paulo - O desentendimento nas negociações sobre a produção de petróleo resultou em uma das maiores perdas da história do mercado financeiro. O anúncio de que a Arábia Saudita irá reduzir o preço do barril e aumentar a produção fez com que o preço da commodity desabasse mais de 30% na mínima do dia. A forte queda teve consequências globais.

Nesta segunda-feira (9), bolsas do mundo inteiro despencaram. Na B3, o circuit breaker – mecanismo que serve como uma espécie de válvula de segurança – foi acionado pela primeira vez desde o Joesley Day, em 2017. A queda do Ibovespa foi tão acentuada, de 12,17%, que só foi superada pelo recuo de 10 de setembro de 1998, quando a Bolsa caiu 15,83%.

Com a queda de 12,17% nesta segunda, o principal índice da Bolsa encerrou em 86.067 pontos – a menor pontuação desde dezembro de 2018.

“Do ponto de vista fiscal, a atual cotação do petróleo é insustentável para os países que dependem da commodity. A Arábia Saudita não vai conseguir manter esse preço por muito tempo”, comentou Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset. Segundo ele, um acordo entre os países produtores poderia reduzir a volatilidade do mercado. Neste início de semana, o índice VIX, também conhecido como “índice do medo” registrou a maior máxima desde a crise financeira de 2008.

Na Bolsa, as ações da Petrobras, com peso de 9,9% no Ibovespa, foram as que mais pressionaram o índice para baixo. Com a desvalorização do petróleo como pano de fundo, os papéis ordinários da estatal recuaram 31,34% e fecharam cotados a 16,52 reais, enquanto os preferenciais caíram 32,02%, a 15,52 reais. Na sessão, a Petrobras perdeu 91 bilhões de reais de valor de mercado.

Até então, a PetroRio, que é do mesmo setor, registrava forte valorização desde que colocou em prática a estratégia de adquirir poços já em operação. Em 2020, os papéis da empresa estiveram entre as maiores altas do índice Small Caps. Mas hoje a história foi diferente e as ações da companhia caíram 36,15%, ficando entre as maiores baixas do pregão.

Embora as empresas diretamente relacionadas ao petróleo tenham sofrido mais nesta segunda, todas companhias de commodities passaram por fortes desvalorizações. “A derrocada do preço do petróleo mexe com todas as commodities e com todos os mercados”, disse Alvaro Bandeira, economista-chefe do banco digital Modalmais. Com isso, as siderúrgicas também estiveram entre as maiores quedas da sessão, com CSN recuando 25,29%, enquanto Usiminas e Gerdau caíram 16,14% e 15,46%, respectivamente. Já as ações da Vale, com mais peso no Ibovespa, desvalorizaram-se 15,2%.

Com o cenário mais adverso, ganha força a análise de que o Banco Central pode cortar em 0,50 ponto percentual a taxa básica de juros na reunião da semana que vem. Atualmente, a Selic está em 4,25%.

Ao longo do dia, o CDS (Credit Default Swap) do Brasil — que é uma espécie de seguro contra calote de países — chegou a subir cerca de 50 pontos para 193 pontos. Quanto maior o indicador, maiores as chances de o país não honrar com os credores internacionais. Esse medo tem estimulado a fuga de investidores estrangeiros, que, na sessão do dia 5, sacaram recursos cerca de 1 bilhão de reais, deixando o saldo negativo de março em 5,7 bilhões de reais. No ano, as saídas líquidas somam 45,9 bilhões de reais.

No exterior, o movimento não foi diferente. O principal indicador da bolsa de Londres fechou em queda de 7,25%, já o de Paris recuou 8,39% e o de Frankfurt, 7,94%. Madri e Milão registraram recuos de 7,64% e 11,17%, respectivamente.

No mercado americano, o Dow Jones encerrou com queda de 7,7% e Nasdaq, de 7,209%.