Trump-Xi: cúpula entre EUA e China vai até esta sexta-feira, 15. (Germano Lüders/Exame)
Repórter de Invest
Publicado em 14 de maio de 2026 às 10h57.
Após registrar queda de 1,80% no pregão de ontem, o Ibovespa recuperou parte das perdas avançando 0,72%, a 178,3 mil pontos, na abertura desta quinta-feira, 14, com dados de consumo, crédito e trabalho no radar doméstico e no exterior. Por volta das 10h30 (horário de Brasília), o dólar comercial caía 0,32%, assim como o petróleo, com queda de 0,75%.
As ações do Itaú Unibanco sobem 1,54% e as da Petrobras entre 0,13% a 0,41%. Outro papel com ganhos hoje é o do Bradesco (1,87%). Hypera (4,21%), Direcional (2,98%) e C&A (2,87%) estão entre as maiores altas do índice. Já a Vale cai 0,13% e a CSN, -3,11%, após a divulgação do balanço.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, principal indicador para observar a força de trabalho no Brasil, mostram que a taxa de desocupação ficou em 6,1% no primeiro trimestre, um reflexo da alta do desemprego em 15 estados e da sazonalidade do período, com o fim dos contratos temporários.
Nos Estados Unidos, o número de pedidos de seguro-desemprego saltou 12 mil na semana encerrada no dia 9 de maio, somando 211 mil ao todo. A média móvel de quatro semanas subiu para 203,75 mil, mostrando certa desaceleração no mercado de trabalho também por lá.
Já as vendas do varejo nos EUA aumentaram 0,5% em abril, em linha com as expectativas, ainda com a inflação pressionada pela guerra no Irã. Hoje os presidentes Donald Trump e Xi Jinping se reuniram para discutir sobre as tensões e outros temas. O mercado segue à espera de definições até o encerramento da cúpula na sexta-feira, 15.
Fontes ouvidas pela CNBC veem consenso entre as nações para manter aberto o Estreito de Ormuz.
Os desdobramentos do encontro devem movimentar o setor de energia, especialmente os preços do petróleo, o que, consequentemente, acaba mexendo com os mercados e outros indicadores pelo mundo. Se a reunião terminar apenas com declarações genéricas, a frustração tende a devolver parte dos ganhos observados.
Pelo menos é essa a visão do especialista de inteligência e mercado da Stonex, Bruno Cordeiro. "Caso surja um acordo tarifário concreto envolvendo energia, os futuros do petróleo podem ser pressionados para baixo por conta desse alinhamento entre EUA e China na busca por uma estabilidade no mercado global de petróleo."
No cenário das commodities, os preços do petróleo operam em queda hoje, mas acima dos US$ 100 por barril. O barril do petróleo Brent para julho cai 0,74%, cotado a US$ 104,85, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência de preços nos EUA, para junho recuava 0,80%, a US$ 100,21.
Em seu relatório mensal, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) cortou a estimativa de crescimento da demanda global de 1,4 milhão para 1,2 milhão de barris por dia. O documento também deve ser o último a incluir dados dos Emirados Árabes Unidos, que deixaram o cartel oficialmente em 1º de maio.
As perdas de fornecimento pelo Estreito de Ormuz já somam mais de 14 milhões de barris por dia, esvaziando os estoques globais em ritmo recorde, de acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA). E a duração dos preços dos combustíveis em patamares altos vai depender do desenrolar do conflito no Oriente Médio.
Em Nova York, as três principais bolsas abriram em alta nesta quinta-feira. O Dow Jones avançou 373 pontos, ou 0,7%, ultrapassando a marca dos 50.000 pontos. O S&P 500 subiu 0,3%, enquanto a Nasdaq Composite ganhou 0,1%.
O apetite por risco foi impulsionado pelo setor de tecnologia. As ações da Cisco saltaram 15% no pré-mercado após a gigante de software divulgar resultados do terceiro trimestre acima das expectativas de Wall Street e anunciar o corte de cerca de 4.000 empregos.
A valorização da Cisco foi um dos principais motores do Dow, que já havia testado o nível dos 50.000 pontos no início do ano.
Também contribuíram para o bom humor dos mercados as ações da Boeing, que avançaram mais de 1%, e da Nvidia, que subiu mais de 2% após a Reuters informar que os Estados Unidos liberaram cerca de dez empresas chinesas a comprar o chip H200. Além dos balanços, os investidores acompanham de perto Pequim.
Na Europa, as principais praças financeiras registraram ganhos modestos, com o índice pan-europeu Stoxx 600 avançando 0,2%. O foco do continente se divide entre os desdobramentos da viagem de Trump à China e as turbulências políticas no Reino Unido.
O prêmio de risco dos títulos públicos britânicos (gilts de dez anos) recuou 2 pontos-base, enquanto a libra esterlina caiu 0,3% em relação ao dólar. A volatilidade ocorre em meio à fragilidade do primeiro-ministro Keir Starmer, que enfrenta potenciais contestações à sua liderança dentro do próprio partido.
No ambiente corporativo, a decepção ficou com as ações da Burberry, que desabaram quase 7% após reportar fraqueza nas vendas na Europa e no Oriente Médio.
Os mercados da região Ásia-Pacífico encerraram o dia sem direção definida. No Japão, o Nikkei 225 recuou 0,98%, enquanto o CSI 300, de Xangai, registrou queda de 1,68%. Por outro lado, o Kospi, da Coreia do Sul, avançou 1,75%, impulsionado pela forte recuperação da Samsung.
As ações da gigante de tecnologia sul-coreana subiram até 5% e atingiram máximas históricas, recuperando-se do tombo do pregão anterior, quando a empresa perdeu US$ 66 bilhões em valor de mercado.
Os investidores monitoram a ameaça do sindicato dos trabalhadores da Samsung, que planeja uma greve de 18 dias a partir de 21 de maio, envolvendo mais de 41 mil funcionários. O ministro das Finanças do país, Koo Yun-cheol, alertou que a paralisação pode representar um risco severo para as exportações e para o crescimento econômico.