Dólar: moeda recua apesar dos riscos geopolíticos no exterior. (Germano Lüders/Exame)
Repórter de Invest
Publicado em 2 de setembro de 2026 às 11h16.
O Ibovespa mantém o ritmo positivo nesta quarta-feira, 2, e avança em um pregão marcado pela busca por ativos de risco. Por volta das 11h20 (horário de Brasília), o índice subia 2,59%, aos 184.481,85 pontos, depois de ter iniciado setembro com forte valorização.
No Brasil, investidores digerem novos indicadores de atividade e fluxo cambial, enquanto, no exterior, os mercados acompanham os próximos passos dos bancos centrais e os efeitos da guerra no Oriente Médio. O dólar comercial recuava 0,42%, a R$ 5,134.
Entre as ações de maior peso no índice, Vale (VALE3) avança 1,49%. Petrobras opera na contramão, com queda de 0,19% nas ações ordinárias (PETR3) e ligeira alta de 0,34% nas preferenciais (PETR4) depois do forte avanço do papel na véspera. A Prio (PRIO3) também recua, 0,78%, acompanhando a queda dos preços do petróleo no exterior.
A alta é sustentada, em grande parte, pelo desempenho das ações do setor financeiro. O Banco do Brasil (BBAS3) sobe 2,11%, enquanto B3 (B3SA3) avança 2,47%, Bradesco (BBDC4) ganha 1,59%, Itaú Unibanco (ITUB4) sobe 1,50% e Santander Brasil (SANB11) valoriza 1,87%.
O maior avanço do dia é das ações da Azzas 2154 (AZZA3), gigante de moda criada a partir da união entre Arezzo&Co e Grupo Soma, e que anunciou antes da abertura do mercado que ai passar por uma ampla reorganização societária que, na prática, voltará a separar os dois grupos. O acordo prevê a criação de duas companhias abertas independentes, Arezzo&Co e Soma, além de uma estrutura própria para a Farm Rio.
Os papéis da companhia, que acumulavam queda de 40% no ano até o pregão desta terça, 1°, hoje sobem 11,94%, na liderança do pregão, em meio ao anúncio de divisão.
Na sequência, aparece Magazine Luiza (MGLU3), que dispara 9,52%, em meio ao anúncio de parceria para vender seus produtos na plataforma do Mercado Livre. Na sequência aparecem Vamos (VAMO3), com avanço de 9,06%, e Assaí (ASAI3) com alta de 6,24%.
No radar dos investidores estão a nova pesquisa eleitoral sobre a disputa pela Presidência da República, divulgada nesta quarta pela Quaest. Segundo o levantamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 42% nas intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem 41%, em uma disputa de 2º turno, o que mostra uma disputa mais acirrada.
A produção industrial brasileira mostrou leve recuperação em julho, avançando 0,2% em relação a junho, interrompendo uma sequência de dois meses de resultados negativos. Apesar da melhora na margem, a indústria ainda registrou queda de 0,5% na comparação com julho de 2025.
Nos Estados Unidos, o mercado de trabalho privado também apresentou crescimento moderado em agosto. Segundo o Relatório Nacional de Emprego da multinacional ADP, foram criadas 38 mil vagas no setor privado, após alta revisada de 46 mil postos em julho.
O analista da Ouro Preto Investimentos, Sidney Lima, vê que a bolsa é beneficiada pela perspectiva de juros menores e pela própria composição do índice. A criação de apenas 38 mil vagas no setor privado dos EUA, abaixo do esperado, reforça a possibilidade de uma política monetária menos restritiva pelo Federal Reserve (Fed).
Os preços do petróleo operam em queda, mas permanecem voláteis diante da escalada dos conflitos no Oriente Médio. O contrato futuro do Brent (parâmetro global) recua 0,95%, a US$ 94,30 por barril, enquanto o do West Texas Intermediate (WTI, referência de preços nos EUA) cai 0,74%, a US$ 89,55.
Os EUA realizaram uma nova rodada de ataques contra o Irã, enquanto Teerã teria respondido com ataques a aliados regionais de Washington. O Estreito de Ormuz também permanece no radar, após uma embarcação ser atingida por três projéteis desconhecidos durante a passagem pela região.
Para Lima, uma eventual interrupção no fornecimento de petróleo pode aumentar a procura pelo dólar como proteção e reacender as preocupações com a inflação global, o que dificultaria cortes de juros nos EUA.
As bolsas americanas voltaram a subir após a pressão na sessão passada da alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro. O S&P 500 sobe 0,34%, enquanto o Nasdaq avança 0,35%. O Dow Jones avança 0,63%.
O rendimento do Tesouro dos EUA (Treasury) de dez anos chegou a 4,814%, maior nível desde novembro de 2023. A alta dos juros dos títulos aumenta a preocupação dos investidores com o impacto da inflação provocada pelo petróleo mais caro.
O WTI chegou a superar US$ 90 por barril nesta semana, em meio aos novos ataques americanos contra o Irã e ao temor de uma nova escalada do conflito.
As principais bolsas europeias operam em baixa, acompanhando a pressão dos juros globais e as incertezas relacionadas ao Irã. O índice Stoxx 600 recua 0,30%, enquanto o DAX, de Frankfurt, cai 0,42%. O FTSE 100, de Londres, perde 0,34%, o CAC 40, de Paris, recua 0,09%, e o FTSE MIB, de Milão, cai 0,27%.
As ações de mídia lideram as perdas, com queda de 1,4%, seguidas pelas empresas europeias de automóveis e autopeças, que recuam 1,2%.
Os mercados asiáticos encerraram o pregão em baixa, pressionados pela aversão ao risco diante da escalada das tensões no Oriente Médio e da possibilidade de alta dos juros globais.
O Nikkei 225, do Japão, caiu 2,85%, aos 64.325 pontos, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, recuou 4%, aos 6.562 pontos. Na Austrália, o S&P/ASX 200 perdeu 0,97%. Em Hong Kong, o Hang Seng recuava 0,24% na última hora de negociação. Na China continental, o CSI 300 fechou em baixa de 1,38%.