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Ibovespa segue NY, fecha quase estável com guerra e sobe 3,6% na semana

Plano para o Estreito de Ormuz chegou a animar o mercado maus cedo, mas alívio perdeu força com incertezas geopolíticas

Ibovespa fecha no zero a zero: nesta sexta, 3, não haverá negociação por conta do feriado de Sexta-feira Santa (Germano Lüders/Exame)

Ibovespa fecha no zero a zero: nesta sexta, 3, não haverá negociação por conta do feriado de Sexta-feira Santa (Germano Lüders/Exame)

Publicado em 2 de abril de 2026 às 17h43.

O Ibovespa fechou esta quinta-feira, 2, praticamente estável, com ligeira alta de 0,05%, aos 188.052 pontos, após um pregão marcado por forte volatilidade. Ao longo do dia, o principal índice da B3 oscilou entre a mínima de 185.213 pontos e a máxima de 189.250. O volume financeiro somou R$ 24,2 bilhões.

Apesar de fechar no zero a zero nesta quinta, na semana, o índice acumulou ganho de 3,58%. Nesta sexta, 3, não haverá negociação por conta do feriado de Sexta-feira Santa. O pregão será retomado na segunda, 6.

Após abrir em forte queda e ensaiar uma recuperação ainda pela manhã, o Ibovespa perdeu força ao longo da tarde e passou a rondar a estabilidade, refletindo a cautela dos investidores diante do cenário externo ainda incerto.

Pela manhã, os ativos chegaram a reagir positivamente após notícias de que o Reino Unido estuda um plano para apoiar o tráfego de navios no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o escoamento global de petróleo. O alívio, no entanto, não se sustentou. Ao longo da tarde, persistiram as dúvidas sobre a evolução do conflito no Oriente Médio e seus possíveis impactos sobre o fluxo de commodities e a economia global, o que manteve o apetite por risco mais contido.

O movimento acompanhou o desempenho das bolsas de Nova York, que encerraram praticamente estáveis também, reforçando o ambiente de cautela nos mercados internacionais. O Dow Jones registrou ligeira queda de 0,13%, enquanto S&P e Nasdaq subiram 0,11% e 0,18%, respectivamente, também praticamente estáveis.

Repercussão do discurso de Trump no mercado

O humor dos mercados foi influenciado pelo discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que na véspera afastou a possibilidade de um cessar-fogo no Oriente Médio e indicou uma possível intensificação dos ataques contra o Irã nas próximas semanas. A sinalização elevou as tensões geopolíticas e interrompeu o movimento recente de alívio nos mercados globais.

No mercado de commodities, o petróleo voltou a disparar diante do temor de restrições na oferta global. O contrato do Brent para junho subiu 7,77%, a US$ 109,03 por barril, enquanto o WTI para maio disparou 11,41%, a US$ 111,54 por barril, Na semana, as valorizações acumuladas atingem 3,52% e 18,4%, respectivamente.

Com a alta da commodity, as ações de empresas do setor petroleiro lideram os ganhos do Ibovespa. A Prio (PRIO3) subiu mais de 5%, a maior alta do pregão, enquanto a Petrobras (PETR3 e PETR4) subiram 2,25% e 1,65%. A Vale (VALE3), que passou o maior dia em queda, encerrou em leve alta de 0,66%

Por outro lado, os papéis de grandes bancos, que também têm peso no índice, recuaram em bloco e pressionaram o Ibovespa para baixo. A maior queda do dia ficou com RD Saúde (RADL3), que caiu 3,95%.

Em seu discurso, Trump afirmou que os Estados Unidos estão próximos de atingir seus objetivos militares, mas não descartou novas ofensivas. “Estamos no caminho para completar todos os objetivos militares da América rapidamente. Vamos atacá-los com dureza extrema. Nas próximas duas a três semanas, vamos levá-los de volta à Idade da Pedra”, disse.

O presidente também voltou a ameaçar as instalações energéticas do Irã caso não haja acordo, reforçando o tom agressivo da política externa americana. Apesar de projetar uma imagem de vitória, ele reconheceu que o país ainda mantém capacidade de resposta. O próprio comando do Irã já prometeu intensificar a ofensiva contra o país e Israel após o discurso de Trump.

"Avaliamos que o discurso foi pouco informativo sob a ótica de mercado, com forte viés voltado ao público doméstico e sem endereçar de forma clara os principais vetores de risco para os ativos globais", afirmou o economista-chefe do Banco Pine, Cristiano Oliveira, em relatório.

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