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Ibovespa revive sonho dos 200 mil pontos com novos recordes sucessivos

Bolsa brasileira atingiu os 195 mil pontos e retoma rali de antes da Guerra

Ibovespa: recorde, aos 195 mil pontos, mesmo em tempos de guerra (Germano Lüders/Exame)

Ibovespa: recorde, aos 195 mil pontos, mesmo em tempos de guerra (Germano Lüders/Exame)

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 10 de abril de 2026 às 05h00.

Nos dois primeiros meses do ano, gestores e analistas acreditavam que o Ibovespa conseguiria atingir, ainda em 2026, o patamar dos 200 mil pontos. A EXAME mostrou esse otimismo do mercado na reportagem de capa da edição de fevereiro. Um dia após a publicação, começava a Guerra entre Irã e Estados Unidos, trazendo um revés no mercado. Era um risco que estava no radar dos investidores, mas que surpreendeu em relação ao impacto nos preços dos ativos. Os efeitos do conflito foram minimizados a princípio, afinal, tinha petróleo de sobra no mundo. Até que os agentes se tocaram que o que estava em jogo era 20% da produção global da matéria-prima, além de outras cargas bilionárias represadas no Golfo Pérsico, em meio a bombardeios.

O choque do petróleo veio, com o barril da commodity passando semanas na casa dos US$ 100 e alimentando a tese de que a inflação global voltaria a acelerar, obrigando bancos centrais a subir juros. Tudo isso às vésperas da reunião que decidiria pelo primeiro corte da Selic em dois anos — aconteceu, mas não na intensidade esperada.

O Ibovespa acompanhou a aversão ao risco do mercado global, mas se mostrou resistente. O fluxo de capital estrangeiro desacelerou em março, mas continuou positivo. E mesmo fechando o mês em queda, a perda foi muito pequena comparada com o que o índice vinha acumulando ao longo do ano.

Não é de se estranhar que, no primeiro sinal de trégua, ainda que frágil, a bolsa brasileira pudesse voltar ao ponto onde parou. "O Brasil está em um posicionamento global interessante. Quando o petróleo cai, acompanhamos as bolsas globais. Em dias estressados, o câmbio nos favorece, pois temos grandes exportadoras e ativos que performam melhor nesse cenário, como as petroleiras", afirma Jayme Simão, sócio-fundador do Hub do Investidor.

Após as novas pontuações históricas, JPMorgan e Morgan Stanley reforçaram suas apostas no mercado brasileiro, apontando o país como um dos principais destinos de recursos dentro dos emergentes.

O JPMorgan destaca que o Brasil tende a se valorizar mais do que a média quando o apetite global por risco aumenta, o que favorece os ativos locais na retomada dos fluxos estrangeiros. Esse movimento é medido em relação ao MSCI Emerging Markets, índice que reúne as principais bolsas de países em desenvolvimento e funciona como termômetro do humor dos investidores internacionais com essa classe de ativos. O cessar-fogo entre EUA e Irã e o enfraquecimento do dólar ajudam a pavimentar esse caminho.

Já o Morgan Stanley mantém uma exposição acima da média (overweight) em ações brasileiras em seu portfólio modelo para a América Latina, citando empresas líderes, geração de caixa consistente e preços ainda considerados baratos em relação ao seu potencial.

"O Brasil acaba se destacando como um país em crescimento, com queda de taxa de juros. O carry trade segue beneficiando o fluxo para o país", afirma Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos. Ele destaca também as revisões positivas que a Petrobras tem recebido das casas de análise no período e acredita que a Vale, empresa de maior peso do Ibovespa, apresente bons resultados este mês.

O estrategista da RB Investimentos, Gustavo Cruz, reconhece que o ciclo de queda de juros que teve início do Brasil ajuda a aumentar o apelo frente a investidores estrangeiros. Mas a dependência do gringo também tem seu lado perigoso. Dados da B3 mostra que a participação de estrangeiros no volume de negócios está acima da média, passado dos 60%.

"O investidor de fundo de pensão segue fora, pessoa física também. O movimento de alta é frágil nesse sentido. Se os estrangeiros retiram os recursos daqui, não tem outro comprador", conclui.

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