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Ibovespa resiste à Petrobras, fecha em leve alta e bate novo recorde

Ações da Smart Fit lideraram baixas do índice, com tombo de mais de 8%

Ibovespa nesta quinta: desempenho positivo do índice ocorreu apesar da pressão exercida pelas ações da Petrobras. (Patricia Monteiro/Bloomberg)

Ibovespa nesta quinta: desempenho positivo do índice ocorreu apesar da pressão exercida pelas ações da Petrobras. (Patricia Monteiro/Bloomberg)

Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 18h36.

O Ibovespa encerrou esta quinta-feira, 15, em leve alta de 0,26%, aos 165.568 pontos, renovando pelo segundo pregão consecutivo tanto a máxima histórica intradiária quanto a de fechamento. Durante o dia, o principal índice da B3 chegou a superar os 166 mil pontos, impulsionado pelo desempenho positivo de ações de grandes bancos, como Itaú e Bradesco.

Após passar as primeiras horas do pregão praticamente estável, o índice ganhou força ao longo da tarde. Por volta das 15h10, avançava 0,55%, aos 166.047,14 pontos, superando a máxima intradiária registrada na quarta-feira, 14. Apesar da desaceleração perto do encerramento, o movimento foi suficiente para garantir um novo recorde de fechamento.

Na sessão anterior, o Ibovespa havia subido 1,96%, aos 165.145 pontos, também em níveis históricos, impulsionado pela forte entrada de investidores estrangeiros em ações ligadas a commodities.

Nesta quinta, o desempenho positivo do índice ocorreu apesar da pressão exercida pelas ações da Petrobras. Os papéis da estatal recuaram acompanhando a forte queda do petróleo no mercado internacional, após sinais de alívio nas tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã.

As ações ordinárias da Petrobras (PETR3) caíram 1,02%, enquanto as preferenciais (PETR4) recuaram 0,63%.  No exterior, o barril do Brent caiu 4,15%, para US$ 63,76, enquanto o WTI recuou 4,56%, a US$ 59,19.

Na outra ponta, ações de grandes bancos ajudaram a sustentar o avanço do índice. As ações preferenciais do Itaú (ITUB4), com cerca de 8,3% de partibancipação no índice, subiram 0,86%, enquanto Bradesco (BBDC4) também registraram desempenho positivo com alta de 2,05%.

"O Ibovespa passou por um pregão de acomodação após renovar máximas históricas. O mercado está consolidando níveis entre 165 mil e 166 mil pontos, tentando ganhar força para romper essa faixa", afirma Marcelo Boragini, especialista em renda variavel na Davos Investimentos.

Varejo e Smart Fit no radar

O mercado também reagiu aos dados de vendas no varejo, que vieram acima do esperado em novembro. Segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE, o varejo restrito avançou 1% na comparação com outubro, ante expectativa de alta de 0,2%.

De acordo com Andressa Bergamo, especialista em investimentos e sócia-fundadora da AVG Capital, o dado forte foi impactado pela alta das vendas com a Black Friday que movimentou positivamente diversas atividades como móveis e eletrodomésticos, artigos de uso pessoal e doméstico, além de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria.

"Com isso, e também com a alta dos juros futuros, ações de empresas de varejo e consumo sobem bem na bolsa hoje como Magazine Luiza", diz Bergamo. As ações da companhia (MGLU3) ficaram entre as maiores altas do dia com avanço de 4,05%.

Na ponta negativa, porém, ficaram as ações da Smart Fit (SMFT3), que lideraram as perdas do pregão, com queda de 8,17%.

O mercado mudou de humor sobre a companhia após a direção da empresa adotar tom mais cauteloso em reunião com analistas no Retail CEO Day do BTG Pactual. Em entrevista ao Brazil Journal, o CEO da Smart Fit, Edgard Corona, afirmou que está "otimista para 2026, o que não quer dizer que não haja desafios".

"Temos um cenário macro diferente no Brasil, um ano com muitos feriados durante a semana, e isso pode pressionar as margens brutas das unidades maduras. Mas isso deve ser compensado pelos resultados da TotalPass e pelo aumento da margem das unidades em maturação e também em outras geografias", disse o CEO à publicação.

Boragini avalia que a queda da Smart Fit reflete também um movimento técnico e esperado de realização de lucros após a forte valorização da companhia na bolsa em 2025.

Segundo ele, a notícia sobre a expansão da rede australiana F45 Training no Brasil, divulgada nesta quarta, também contribuiu para um sentimento mais cauteloso no curto prazo, já que o setor de academias é bastante competitivo e o mercado costuma reagir rapidamente a sinais de aumento de concorrência.

"E aproveitando que apareceu essa notícia da F45, o mercado aproveita para colocar o lucro no bolso e esperar para ver o que vai acontecer", disse o operador.

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