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Ibovespa renova recorde pela terceira sessão com bancos em destaque

O principal índice da B3 fechou em alta de 2,20%, aos 175.589 pontos, após atingir máxima histórica intradiária de 177.741 pontos

Ibovespa volta a bater recorde: as blue chips voltaram a avançar de forma conjunta, mas o grande destaque do pregão ficou com os bancos (Germano Lüders/Exame)

Ibovespa volta a bater recorde: as blue chips voltaram a avançar de forma conjunta, mas o grande destaque do pregão ficou com os bancos (Germano Lüders/Exame)

Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 18h41.

Última atualização em 22 de janeiro de 2026 às 19h00.

O Ibovespa ampliou a sequência de recordes nesta quinta-feira, 22, e encerrou o pregão acima dos 175 mil pontos, embalado pelo forte fluxo de capital estrangeiro e pelo desempenho expressivo das ações de bancos.

Em um dia marcado por maior apetite global por risco, o principal índice da B3 avançou 2,20%, aos inéditos 175.589,35 pontos, depois de atingir máxima intradiária de 177.741,56 pontos. O volume financeiro voltou a ser elevado, somando R$ 44 bilhões.

O movimento dá continuidade à escalada iniciada na véspera, quando o índice já havia avançado cerca de 5.500 pontos, e ocorre em meio a um ambiente internacional mais favorável aos mercados emergentes, após falas mais brandas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Groenlândia e a União Europeia, o que ajudou a aliviar as tensões geopolíticas.

As blue chips voltaram a avançar de forma conjunta, mas o grande destaque do pregão ficou com os bancos. As ações ordinárias do Banco do Brasil (BBAS3) subiram 4,69%, a quarta maior alta do dia, enquanto enquanto as preferenciais do Itaú (ITUB4) avançaram 3,38%.

Já os papéis preferenciais do Bradesco (BBDC4) ganharam 2,73%, e as units do Santander (SANB11) anotaram alta de 1,68%, assim como do BTG (BPAC11), que avançaram 1%.

"Os bancos foram os preferidos do investidor internacional por ter uma segurança maior dentro do índice e serem bons pagadores de dividendos", afirmou Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital.

Segundo Bento, desempenho reflete a maior tomada de risco por parte do investidor internacional. "O Ibovespa acompanha o segundo dia de alta, muito apoiado pela entrada de capital estrangeiro na nossa bolsa e por uma maior disposição ao risco, após falas mais brandas de Donald Trump, que trouxeram um fôlego maior para o mercado brasileiro", acrescentou.

O analista destaca ainda que o cenário global de queda de juros favorece os ativos de risco. "Com o mundo praticamente todo caminhando para um ciclo de afrouxamento monetário, as bolsas tendem a se beneficiar. Acredito que a Bolsa brasileira tende a ter um 2026 próspero".

Entre as demais blue chips, a Vale (VALE3) avançou 0,58%, mesmo com o minério de ferro estável no mercado internacional. Já a Petrobras caminhou na contramão da queda de cerca de 2% do petróleo. As ações ordinárias (PETR3) subiram 0,69%, e as preferenciais (PETR4) avançaram 0,45%.

Apenas cinco ações caíram

O avanço da estatal ocorre em um dia de desempenho misto entre as petroleiras. Enquanto a Petrobras sustentou ganhos, empresas como Prio (PRIO3) e PetroRecôncavo (RECV3) figuraram entre as únicas cinco quedas do índice, pressionadas pelo recuo da commodity.

Segundo Renato Reis, analista da Blue3 Investimentos, o avanço da Petrobras em um dia de queda do petróleo está diretamente ligado ao movimento de fluxo para o Brasil. "Hoje, especificamente, o movimento está destoando. Enquanto a Petrobras sobe, o restante das petroleiras cai. Isso é muito por conta do movimento Brasil", afirma.

Na mesma linha, João Braga, sócio-fundador da Encore Asset Management, afirma que o movimento do dia está ligado à continuidade das compras estrangeiras via índice. "O estrangeiro ainda está comprando o EWZ, comprando o índice. Quando compra o índice, compra Petrobras, bancos, Vale, sem olhar para o petróleo ou para valuation", afirma.

O movimento da bolsa brasileira também reflete uma rotação global de portfólios em direção a mercados emergentes. Enquanto o S&P 500 apresenta desempenho praticamente estável no acumulado do ano, os mercados emergentes têm registrado um rali mais intenso, com impacto direto sobre a B3.

Um dos sinais desse fluxo é o desempenho do EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, que subiu 4,16% na quarta-feira, 21, ficando entre os destaques globais.

Além das blue chips, ações mais domésticas também se destacaram. A Cogna (COGN3), elevada para “compra” pelo BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), liderou os ganhos do Ibovespa pelo segundo pregão consecutivo, com alta de 7,41%.

Na sequência apareceram Vivara (VIVA3), com avanço de 6,34%, e Rede D’Or (RDOR3), que subiu 5,70%; Na ponta negativa, RD Saúde (RADL3) recuou 3,86%.

Para Bento, o alívio das tensões geopolíticas, a queda do dólar — que atingiu os menores níveis desde novembro — e o recuo dos juros futuros criam um ambiente especialmente favorável para a bolsa. "Essa combinação de fatores dá alívio à curva de juros, principalmente nos vencimentos mais curtos, e acaba se refletindo diretamente nas ações", finalizou.

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