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Ibovespa recupera os 172 mil pontos com desaceleração da inflação; dólar cai a R$ 5,17

Apesar do IPCA-15 de junho ter vindo abaixo do esperado, inflação ainda segue acima da banda de tolerância da meta

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 25 de junho de 2026 às 17h26.

Última atualização em 25 de junho de 2026 às 18h23.

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O Ibovespa encerrou a sessão desta quinta-feira, 25, com alta de 0,89% aos 172.028 pontos. Já o dólar caiu 0,47% a R$ 5,17. Uma combinação de fatores ajuda a explicar o otimismo dos investidores, mas o principal é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de junho, que veio abaixo das expectativas.

O mercado esperava uma alta de 0,44%, enquanto o indicador veio em 0,41%. O número mostra uma desaceleração frente aos 0,62% de maio. Em termos qualitativos, tanto o núcleo e o setor de serviços, que são que o Banco Central mais gosta de olhar para a política monetária, desaceleraram.

“Iisso ajuda a Bolsa, óbvio, porque acaba reforçando bastante a tese de que o Banco Central não precisa subir mais juros. E juro menor lá na frente é bom para a renda variável como um todo”, explica Nicolas Gass, estrategista de investimentos e sócio da GT Capital.

Entretanto, o especialista alerta que a inflação segue acima da meta — 3%, com tolerância de 1,5% para cima. No acumulado de 12 meses, ela está em 4,80%. “E o próprio BC já elevou a projeção da inflação e disse que vê um risco altista por conta dos estímulos fiscais e de crédito do governo. Então é um alívio momentâneo, mas não é uma virada de jogo.”

As falas de Gabriel Galípo, presidente do BC, explicando sobre a última comunicação da autarquia, também ajudaram no tom positivo da Bolsa. A autoridade realizou uma coletiva para comentar o Relatório de Política Monetária do 2º trimestre, que revisou de 1,6% para 2% a projeção do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026.

“O que mais animou o mercado foi o Galípolo deixar claro que a inflação tende a convergir sem precisar endurecer mais o juro. Ele desarmou o ruído do último Copom, dizendo que o problema da comunicação foi de excesso de informação e não de falta, ou seja, não tinha mensagem dura escondida no comunicado. Foi isso que aliviou a curva futura de juros hoje”, pontuou Gass.

Cenário externo ajudou

Também teve uma ajuda do externo com as bolsas americanas reagindo bem ao resultado da Micron e também ao petróleo mais barato. “A região do preço hoje do barril do petróleo está muito próximo do que estava no cenário de pré-guerra. Então, isso ajuda bastante nas perspectivas de inflação como um todo”, comenta Gass.

Nesta quinta-feira, 25, a Micron Technology trouxe o fôlego que os investidores de tecnologia precisavam para retomar a confiança no setor depois de uma correção que pressionou fabricantes de chips e levantou dúvidas sobre o crescimento sustentável da inteligência artificial (IA).

Os números divulgados pela Micron evidenciam a força da demanda por memória voltada a aplicações de IA. No terceiro trimestre, a receita saltou de US$ 9,3 bilhões para US$ 41,46 bilhões na comparação anual. A empresa estima faturamento próximo de US$ 50 bilhões para o trimestre atual.

No pré-mercado, Nasdaq chegou a subir 2%, entretanto, fechou a sessão com queda de 0,49%, enquanto S&P 500 fechou estável e Dow Jones subiu 0,14%.

Nos Estados Unidos, também houve a divulgação do PIB do primeiro trimestre. No entanto, como ele veio em 2,1%, dentro do esperado, não foi ele que acabou mexendo o ponteiro. “O que de fato mexeu com as bolsas americanas hoje foi o resultado da Micron, que veio muito forte e reacendeu toda a tese e euforia da inteligência artificial”, aponta Gass.

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