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Ibovespa recua levemente com impasse no Oriente Médio; dólar tem leve alta

O início da semana é dominado pela choque internacional, com a escalada geopolítica envolvendo Estados Unidos e Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz

Mercados nesta segunda, 13: ambiente de aversão a risco se reflete nas bolsas internacionais, com queda na Ásia, Europa e nos EUA (Germano Lüders/Exame)

Mercados nesta segunda, 13: ambiente de aversão a risco se reflete nas bolsas internacionais, com queda na Ásia, Europa e nos EUA (Germano Lüders/Exame)

Publicado em 13 de abril de 2026 às 10h35.

O Ibovespa abriu a semana em queda, mas com perdas mais contidas do que as observadas no exterior, em um pregão marcado pela escalada das tensões geopolíticas e disparada do petróleo. Por volta das 10h30 desta segunda-feira, 13, o principal índice da B3 recuava 0,27%, aos 196.916 pontos. No mesmo horário, o dólar operava em leve alta frente ao real, subindo 0,38%, cotado a R$ 5,030.

Apesar do sinal negativo, o movimento da bolsa brasileira era mais moderado do que o visto nos mercados internacionais.

Entre os 82 papéis do índice, 43 caíam, incluindo ações de peso como Vale (VALE3) e grandes bancos. Na ponta positiva, apenas 12 ações avançavam, com destaque para as petroleiras, entre elas, Petrobras (PETR3 e PETR4), que subiam mais de 1%, impulsionadas pela forte alta do petróleo.

O início da semana é dominado pela choque internacional, com a escalada geopolítica envolvendo Estados Unidos e Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz.

Trata-se de um evento clássico de oferta no mercado de energia, que tem como consequência direta a disparada do petróleo, reancorando expectativas inflacionárias globais e forçando uma reprecificação abrupta dos ativos de risco, de acordo com relatório da Eleven Financial.

Os contratos futuros do petróleo voltaram a subir com força e superaram novamente o patamar de US$ 100 por barril. Por volta das 10h10, o WTI, referência nos Estados Unidos, avançava 7,34%, a US$ 103,46, enquanto o Brent, referência global, subia 6,89%, a US$ 101,73.

A alta ocorre em meio ao impasse nas negociações para o fim do conflito no Oriente Médio. A falta de acordo no encontro realizado no Paquistão entre autoridades americanas e iranianas elevou as preocupações do mercado sobre o prolongamento da crise.

Após o fracasso das tratativas no fim de semana, os Estados Unidos anunciaram o bloqueio do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, o que tende a agravar ainda mais o abastecimento global de petróleo.

Bolsas globais tombam com impasse em acordo no Oriente Médio

O ambiente de aversão a risco se refletiu nas bolsas internacionais. Na Ásia, os principais mercados fecharam em queda diante da ausência de um cessar-fogo definitivo. O Nikkei 225, do Japão, caiu 0,74%, o Kospi, da Coreia do Sul, recuou 0,86%, e o Hang Seng, de Hong Kong, perdeu 0,90%. Na China continental, o índice Xangai Composto destoou e avançou 0,06%.

Na Europa, todas as principais bolsas operavam no vermelho, enquanto, nos Estados Unidos, os índices futuros também indicavam perdas. O Dow Jones caía 0,91%, o S&P 500 recuava 0,47% e o Nasdaq futuro tombava 0,44%.

Para Eduardo Marzbanian, analista da Eleven Financial, o pano de fundo segue desafiador.

"O cenário geopolítico permanece complexo, com tensões simultâneas no Oriente Médio, Ucrânia e Ásia-Pacífico. A fala de Kristalina Georgieva, do FMI, reforça que choques de preços tendem a persistir mesmo com eventuais cessar-fogos, indicando que o componente inflacionário pode ser mais estrutural do que transitório", afirma.

Segundo ele, na América Latina, o fluxo ainda favorece a região como destino relativo entre os emergentes, impulsionado por exportadores de commodities e pelo diferencial de juros reais. "Ainda assim, persistem fragilidades, especialmente no Brasil, com deterioração de balanços corporativos e maior custo de capital", disse.

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