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Ibovespa recua com incertezas sobre guerra no Irã; dólar opera estável

No câmbio, o dólar à vista abriu em leve alta, mas perdeu força ao longo da manhã e passou a rondar a estabilidade diante da alta do petróleo no exterior

Mercados nesta sexta: o principal índice da B3 recuava 0,58%, aos 181.677 pontos (Germano Lüders/Exame)

Mercados nesta sexta: o principal índice da B3 recuava 0,58%, aos 181.677 pontos (Germano Lüders/Exame)

Publicado em 27 de março de 2026 às 10h44.

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Pela segunda sessão consecutiva, o Ibovespa abriu em queda nesta sexta-feira, 27, refletindo um ambiente de maior cautela nos mercados. Por volta das 10h40, o principal índice da B3 recuava 0,58%, aos 181.677 pontos.

O movimento negativo era disseminado entre as ações. Dos 82 papéis que compõem o índice, apenas seis operavam em alta no mesmo horário. O destaque positivo ficava com as petroleiras, como a Petrobras (PETR3 e PETR4), que avançava quase 1%, acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional.

Na outra ponta, 58 ações registravam queda, incluindo papéis de peso, como Vale e grandes bancos, o que pressionava o desempenho do índice.

No câmbio, o dólar à vista abriu em leve alta, mas perdeu força ao longo da manhã. Às 10h38, a moeda americana registrava ligeira queda de 0,12%, cotada a R$ 5,250.

O que está no radar do mercado

A alta dos preços do petróleo segue influenciando o humor dos investidores nesta sessão, mantendo um viés mais cauteloso nos mercados globais e pressionando ativos de risco, como ações.

Apesar de sinais pontuais de trégua no conflito envolvendo Estados Unidos e Irã que completa um mês neste sábado, 28, o mercado ainda avalia que um eventual acordo de cessar-fogo envolve custos elevados e desafios políticos relevantes, o que reduz as chances de uma resolução rápida.

Com a proximidade do fim de semana, cresce também a tendência de redução de exposição ao risco, diante do receio de novos desdobramentos no cenário geopolítico.

No cenário doméstico, os investidores repercutem a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), realizada pelo IBGE, que apontou uma taxa de desemprego em 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro, acima da projeção do mercado e superior ao resultado anterior de 5,4% no trimestre encerrado em janeiro.

Na mesma direção, a taxa de subutilização avançou de 13,8% para 14,1%, enquanto a população desocupada aumentou de 5,9 milhões para 6,2 milhões. Já a população ocupada recuou de 102,7 milhões para 102,1 milhões, levando o nível de ocupação de 58,7% para 58,4%.

Para Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, o dado indica uma acomodação do mercado de trabalho após um período de desempenho mais robusto.

"Sem, por ora, caracterizar uma mudança de tendência mais estrutural, com a continuidade do avanço da renda reforçando que o mercado ainda preserva elementos de sustentação. Assim, seguimos avaliando o quadro como compatível com um processo gradual de normalização, cuja atualização do modelo com o dado divulgado nos mostra uma continuidade de mesmo patamar para a próxima leitura da PNAD, com menor impacto sazonal", afirmou.

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