Ibovespa mantém viés negativo: o principal índice da B3 recuava 0,59%, aos 178.586 pontos (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 19 de março de 2026 às 15h30.
O Ibovespa se afastou das mínimas, mas segue com viés negativo na tarde desta quinta-feira, 19. Às 15h11, o principal índice da B3 recuava 0,59%, aos 178.586 pontos. No mesmo horário, o dólar mudou de sinal após a alta da manhã e passou a operar praticamente estável, com leve recuo de 0,01%, a R$ 5,245.
O alívio nos ativos locais acompanha o movimento observado no exterior, onde os principais índices de Nova York ainda operavam em queda, mas longe das mínimas. O S&P 500 recuava 0,61%, o Dow Jones caía 0,75% e o Nasdaq tinha baixa de 0,71%.
Parte da melhora veio com a desaceleração dos preços do petróleo, que também se afastaram das máximas intradiárias. O Brent subia 0,93%, a US$ 108,41 o barril, enquanto o WTI operava praticamente estável, com leve alta de 0,11%, a US$ 96,40. Mais cedo, o Brent chegou a ser negociado próximo de US$ 115, após a escalada das tensões no Oriente Médio.
Na bolsa brasileira, as ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) subiam 0,70% e 0,45%, respectivamente, mas o avanço não era suficiente para sustentar o índice, pressionado pela queda de outras blue chips, como a Vale (VALE3) e grandes bancos.
O movimento de deterioração dos mercados ganhou força ainda na véspera, após a intensificação do conflito no Oriente Médio. A ofensiva de Israel contra o campo de gás de South Pars desencadeou uma reação do Irã, que ampliou os ataques na região, incluindo ações contra alvos no Golfo.
A escalada elevou os temores sobre o fornecimento global de energia e levou o petróleo a tocar níveis próximos de US$ 119 por barril durante a madrugada.
As incertezas em torno do conflito também influenciaram a comunicação de política monetária das principais economias.
O Federal Reserve (Fed) manteve a taxa básica de juros do país no intervalo de 3,50% a 3,75%., conforme esperado, mas adotou um tom mais cauteloso ao destacar os riscos inflacionários associados ao cenário global.
Na mesma linha, o Banco da Inglaterra (BoE) optou por não cortar juros e reforçou uma postura mais dura, sinalizando preocupação com a persistência das pressões inflacionárias — o que contribuiu para manter o ambiente global mais avesso ao risco ao longo do dia.
No Brasil, o mercado também repercute a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, sinalizando o início de um ciclo de afrouxamento monetário, ainda condicionado ao comportamento da inflação e ao cenário externo mais volátil.
O mercado também repercute os dados dos Estados Unidos, divulgados nesta manhã, e que mostraram que os pedidos iniciais de seguro-desemprego somaram 205 mil na semana encerrada em 14 de março, abaixo das expectativas do mercado, o que reforça a resiliência da economia americana e sustenta a postura cautelosa do Federal Reserve em relação a cortes de juros.