Mercados: alta da commodity aumenta preocupação com inflação e juros nos Estados Unidos. (gorodenkoff/Getty Images)
Repórter de Invest
Publicado em 9 de setembro de 2026 às 10h52.
O Ibovespa opera em queda nesta quarta-feira, 9, pressionado pelo avanço do petróleo em meio à escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã e pela piora do humor nos mercados internacionais. Por volta das 10h40 (horário de Brasília), o principal índice da B3 recuava 0,74%, aos 186.002,13 pontos. O dólar comercial subia 0,19%, cotado a R$ 5,0952.
A alta do petróleo dá suporte às ações da Petrobras e de outras empresas do setor, mas não é suficiente para sustentar o índice. As ações ordinárias da Petrobras (PETR3) avançavam 1,41%, enquanto as preferenciais (PETR4) subiam 1,39%. Prio (PRIO3) ganhava 1,56% e Brava Energia (BRAV3), 1,42%.
A Vale (VALE3), uma das principais empresas do índice, recuava 0,14%. Entre os grandes bancos, Itaú Unibanco (ITUB4) caía 0,90%, Bradesco (BBDC4) perdia 0,99% e Banco do Brasil (BBAS3) recuava 0,09%.
Na ponta positiva, SLC Agrícola (SLCE3) liderava os ganhos, com alta de 6,71%. PetroReconcavo (RECV3) avançava 2,40%, enquanto CSN Mineração (CMIN3) subia 2,08%. Entre as maiores quedas, Vamos (VAMO3) recuava 3,40%, seguida por Direcional (DIRR3), com baixa de 2,71%, e RD Saúde (RADL3), que perdia 2,69%.
O petróleo voltou a superar a marca de US$ 100 por barril, com a escalada dos confrontos entre EUA e Irã aumentando os temores de interrupções no transporte pelo Estreito de Ormuz. O Brent, referência internacional, subia 2,77%, a US$ 100,63 por barril.
O West Texas Intermediate (WTI, parâmetro de preços nos EUA), avançava 2,92%, a US$ 95,75.
A alta da commodity beneficia empresas produtoras de petróleo, mas também aumenta as preocupações com inflação e juros. Para o analista da Ouro Preto Investimentos, Sidney Lima,o petróleo acima de US$ 100 tem efeitos contraditórios para o Brasil.
De um lado, a commodity melhora os termos de troca do país, aumenta a expectativa de entrada de dólares pelas exportações e favorece empresas como a Petrobras.
De outro, uma alta provocada pela escalada da guerra no Oriente Médio aumenta o risco de inflação global, juros americanos elevados por mais tempo e maior aversão ao risco.
Com o dólar comercial operando próximo da estabilidade, a crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), por outro lado, aumenta a cautela e limita uma valorização mais firme da moeda brasileira. "O resultado é um câmbio praticamente parado, apesar do recuo global do dólar", segundo Lima.
O mercado também acompanha novas pesquisas eleitorais, em uma sessão com agenda de indicadores mais esvaziada no Brasil e no exterior.
As principais bolsas europeias operam em queda, pressionadas pela alta do petróleo e pelos receios de que a escalada da guerra no Irã aumente a inflação global. O Stoxx 600 recuava 1,20%. Em Frankfurt, o DAX caía 1,34%, enquanto o CAC 40, de Paris, perdia 1,46%.
Em Londres, o FTSE 100 recuava 0,86%, e o FTSE MIB, de Milão, caía 0,79%. Apesar da queda dos principais índices, as ações de energia lideravam os ganhos entre os setores europeus no início do pregão, beneficiadas pela valorização da commodity.
Os índices de Wall Street mostram uma abertura negativa, em meio à alta do petróleo e aos temores de que a commodity pressione a inflação e mantenha os juros americanos elevados por mais tempo.
O Dow Jones recuava 0,66%, aos 52.436 pontos. O S&P 500 caía 0,29%, aos 7.651 pontos, enquanto o Nasdaq perdia 0,13%, aos 29.469 pontos.
O movimento ocorre após uma sessão negativa na terça-feira, 8. O rendimento do tesouro público dos EUA (Treasury) de dez anos chegou a superar 4,8% ontem, refletindo as preocupações com o impacto da alta do petróleo sobre a inflação.
No mercado corporativo, investidores também acompanham o evento da Apple hoje. A companhia deve apresentar novidades com foco nos modelos premium de iPhone, incluindo a estreia do primeiro iPhone dobrável, em um momento de maior atenção às perspectivas para as grandes empresas de tecnologia.
Os mercados asiáticos encerraram o pregão sem direção única. O Nikkei 225, do Japão, caiu 0,19%, aos 65.142,78 pontos, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, avançou 1,40%, aos 7.051,64 pontos. Na Austrália, o S&P/ASX 200 recuou 0,11%. Em Hong Kong, o Hang Seng caía 0,26% na última hora de negociação. Na China continental, o CSI 300 fechou em alta de 0,30%, aos 4.572,60 pontos.