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Ibovespa perde fôlego nos 200 mil, mas mantém alta no longo prazo, diz BTG

Relatório do banco aponta correção no curto prazo, mas viés positivo estrutural

Ibovespa: até a última sexta, 17, o índice já tinha caído 0,81% e já acumulava perda de 1,45% na semana corrente até a publicação do relatório nesta quarta (Cris Faga/Getty Images)

Ibovespa: até a última sexta, 17, o índice já tinha caído 0,81% e já acumulava perda de 1,45% na semana corrente até a publicação do relatório nesta quarta (Cris Faga/Getty Images)

Publicado em 23 de abril de 2026 às 14h27.

O Ibovespa perde força ao se aproximar da marca simbólica dos 200 mil pontos, mas ainda preserva uma tendência estrutural de alta no longo prazo, de acordo com análise técnica do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME).

Os analistas Lucas Costa e Gabriela Sporch reconhecem que há uma desaceleração no ritmo de ganhos após a forte valorização recente, mas destacam que essa correção não compromete o viés positivo do índice em horizontes mais amplos.

O diagnóstico vem na esteira de uma mudança de comportamento do mercado nas últimas semanas. Até o dia 14 de abril, o Ibovespa acumulava uma sequência de altas e recordes, chegando a tocar 199.354,81 pontos, a maior máxima intradiária de sua história, e encerrando aquele dia aos 198.657,33 pontos, muito próximo dos inéditos 200 mil pontos.

Desde então, no entanto, o índice interrompeu a trajetória ascendente. Na última quarta-feira, 22, após o feriado de Tiradentes, registrou queda de 1,65%, aos 192.888,95 pontos, no maior recuo recente. Até a última sexta, 17, o índice já tinha caído 0,81% e já acumulava perda de 1,45% na semana corrente até a publicação do relatório nesta quarta.

Para o banco, esse movimento reflete principalmente a dificuldade de romper a resistência psicológica dos 200 mil pontos. A aproximação desse nível teria provocado "perda de momentum" no curto prazo e levado o mercado a uma fase de acomodação.

"No gráfico semanal, a tendência é de alta, apesar do enfraquecimento observado nas últimas duas semanas. O índice continua sustentado pela estrutura de topos e fundos ascendentes no horizonte mais amplo, mas a dificuldade em formar máximas mais altas que as anteriores indica a possibilidade do início de uma consolidação no curto prazo", afirmaram Costa e Sporch.

O cenário é mais desafiador no curto prazo, com o gráfico diário apontando uma sequência de máximas e mínimas mais baixas, típica de correções. Apesar disso, a estrutura de tendência segue positiva, e as médias móveis de 21 e 50 dias — em 191.500 e 187.040 pontos — podem atuar como suportes relevantes, segundo os analistas.

"A retomada da tendência de alta no curto prazo depende da superação do topo de 14 de abril em 199.350 pontos. O rompimento desse nível seria necessário para a formação de um novo pivô de alta", disseram.

JP Morgan vê Ibovespa nos 230 mil pontos

O JP Morgan também vê potencial de valorização do principal índice acionário da B3. Na avaliação do banco americano, o Ibovespa já opera acima do cenário-base de 190 mil pontos projetado anteriormente pelo banco para o fim do ano e pode alcançar 230 mil pontos em um cenário mais otimista.

Para isso, no entanto, seria necessário manter o fluxo estrangeiro favorável, contar com a continuidade do ciclo de queda de juros e atravessar o calendário político sem grandes turbulências. As eleições, porém, tornam o ambiente mais frágil, com o aumento da volatilidade diante de uma disputa eleitoral acirrada.

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