Ibovespa hoje: bolsa sobe com blue chips apesar de tensão entre EUA e China

Mercado aguarda desdobramentos sobre visita de presidente da Câmara dos Estados Unidos a Taiwan
Painel de cotações da B3 (Patricia Monteiro/Bloomberg via/Getty Images)
Painel de cotações da B3 (Patricia Monteiro/Bloomberg via/Getty Images)
Por Guilherme GuilhermeBeatriz Quesada

Publicado em 02/08/2022 às 10:45.

Última atualização em 02/08/2022 às 18:12.

O Ibovespa encerrou o pregão em alta nesta terça-feira, 2, em alta apoiado nas chamadas blue chips – as maiores e mais líquidas ações da bolsa – em dia de tensão no mercado internacional com o conflito entre Estados Unidos e China.

  • Ibovespa: + 1,11%, aos 103.361 pontos
Ibovespa 02/08/2022

(B3/Exame)

A Vale (VALE3), que é a ação com maior participação na carteira teórica do índice, subiu mais de 3% acompanhando a alta do minério de ferro na China. A commodity avançou com a melhora das margens de aço no país. 

  • Vale (VALE3): + 3,19%

Os grandes bancos, que também têm grande participação no Ibovespa, avançaram e ajudaram a dar o tom positivo da bolsa. Bradesco (BBDC4), que divulga seus resultados do 2º trimestre na quinta-feira, 4, subiu quase 2%. Itaú (ITUB4), cujo balanço sai na próxima segunda-feira, 8, também encerrou o dia em alta.

Investidores também reagem à expectativa de novas altas de juros na decisão de amanhã do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). Para a decisão desta quarta-feira, 3, a ampla expectativa do mercado é de mais um ajuste de 0,50 ponto percentual, que, se confirmado, levará a Selic para 13,75%.

  • Bradesco (BBDC4): + 1,73%
  • Itaú (ITUB4): + 1,07%
  • Banco do Brasil (BBAS3): + 1,35%
  • Santander (SANB11): + 0,69%

      No exterior, as bolsas encerraram o dia em queda, atentas à tensão entre Estados Unidos e China após a presidente da Câmara dos Representantes americana, Nancy Pelosi, pousar em Taiwan.

      • Dow Jones (Nova York): - 1,23%
      • S&P 500 (Nova York): - 0,67%
      • Nasdaq (Nova York): - 0,16%

      A visita de Pelosi a Taiwan é a primeira de um líder do alto escalão americano em 25 anos. A chegada da presidente da Câmara americana, apesar dos riscos que representam para a relação entre China e Estados Unidos, serviu como um respiro de alívio no mercado. Isso porque, segundo a Reuters, a China teria deslocado aviões de guerra para próximo do Estreito de Taiwan como um sinal de ameaça à chegada de Pelosi.

      Em sua chegada, Pelosi falou em "reafirmar apoio"  à "vibrante democracia" de Taiwan, segundo a Bloomberg.

      O discurso da Casa Branca é de que a viagem não representa um posicionamento de Estado quanto à independência de Taiwan -- embora a líder da Câmara seja do mesmo partido do presidente Joe Biden. Investidores seguem à espera dos desdobramentos da visita.

      "Isso está causando bastantes preocupações entre investidores sobre qual será a reação da China a essa possível visita", disse Jerson Zanlorenzi, head da mesa de ações e derivativos do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), em morning call desta terça.

      Apesar de uma leve melhora com a chegada de Pelosi, o clima ainda é de cautela nos Estados Unidos. 

      "Seja como for o episódio é importante para marcar a volta do Mar da China no foco da geopolítica mundial apagando a importância relativa do conflito na Ucrânia. Os EUA estão dando um recado claro dos limites de Pequim e acredito fortemente que os chineses não vão cruzar a linha", afirmou em nota André Perfeito, economista-chefe da Necton.

      A maior aversão ao risco também tem reflexos na cotação do dólar, que avançou quase 2% contra o real, seguindo sua valorização no exterior.

      • Dólar comercial: + 1,94%, a R$ 5,279

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      Ações em destaque

      Apesar do cenário geopolítico conturbado, investidores seguem atentos à temporada de balanços do segundo trimestre. 

      Nos Estados Unidos, o tom negativo foi amenizado pelo resultado da Uber, que apresentou seu primeiro fluxo de caixa livre positivo de sua história, e disparou quase 19% na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE). 

      Os BDRs da companhia, suscetíveis à variação cambial, chegam a superar 23% de alta na B3.

      • Uber (UBER): + 18,90%
      • Uber BDR (UIBE34): + 23,52%