Ibovespa nesta terça, 14: índice encerrou o pregão com ganho de 0,33%, aos 198.657,33 pontos, após atingir 199.354,81 pontos na máxima do dia, a maior de sua história (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 14 de abril de 2026 às 17h35.
Última atualização em 14 de abril de 2026 às 18h03.
O Ibovespa registrou nesta terça-feira, 14, seu 18º recorde nominal e o quinto consecutivo. O principal índice acionário acompanhou o otimismo dos mercados globais e terminou em alta, renovando os recordes de fechamento e máxima intradiária, e se aproximando da marca simbólica de 200 mil pontos.
O índice encerrou o pregão com ganho de 0,33%, aos 198.657,33 pontos, após atingir 199.354,81 pontos na máxima do dia, a maior de sua história. Com isso, a alta acumulada nas últimas cinco sessões chega a quase 10.400 pontos. O volume financeiro seguiu elevado, em R$ 32,6 bilhões.
O Ibovespa também atingiu nesta terça um marco histórico ao superar o recorde ajustado pela inflação de 198.950,90 pontos, patamar que não era alcançado desde 2008.
Com isso, o mercado acionário brasileiro encerra um hiato de quase duas décadas e consolida a recuperação real, descontada a inflação, de seu principal índice, de acordo com cálculos da consultoria Elos Ayta.
Entre os destaques de alta, a Vale (VALE3) avançou 1,08% mesmo com o minério de ferro estável. Os bancos também tiveram desempenho positivo, como Banco do Brasil (BBAS3), que subiu 2,55%, Itaú (ITUB4), com alta de 1,53%, Bradesco (BBDC4), 0,92%, e Santander (SANB11), que registrou variação positiva de 0,12%. Na contramão, BTG Pactual (BPAC11) caiu 0,86%.
As maiores quedas ficaram concentradas em empresas ligadas ao petróleo, refletindo a baixa da commodity. As ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) recuaram 4,44% e 3,82%, além de Prio (PRIO3) e Vibra (VBBR3). A Braskem (BRKM5) também caiu 2,58%.
Do lado positivo, papéis sensíveis ao ciclo doméstico e à política monetária se destacaram, como Cogna (COGN3), com alta de 4,79%, e Localiza (RENT4), que avançou quase 5% também.
No câmbio, o dólar caiu pela quinta sessão consecutiva frente ao real, ainda que próximo da estabilidade. A moeda americana recuou 0,07%, a R$ 4,993, renovando o menor nível em mais de dois anos e se aproximando do fechamento de 27 de março de 2024, em R$ 4,9866.
"O Ibovespa segue o otimismo externo, com as bolsas globais reagindo positivamente às perspectivas de novos encontros diplomáticos para negociações entre Irã e Estados Unidos", diz Bruno Perri, economista-chefe, estrategista de investimentos e sócio-fundador da Forum Investimentos.
O movimento ocorre em um cenário de maior apetite por risco nos mercados globais, impulsionado pela expectativa de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã. Esse pano de fundo também contribui para a queda do petróleo, que, por sua vez, ajuda a aliviar pressões inflacionárias e favorece economias importadoras de energia, como o Brasil.
No mesmo horário, o contrato da commodity do tipo Brent, referência mundial, recuava mais de 1%, a US$ 97,90. O WIT, referência nos EUA, para maior também recuava 3,07%, com o barril a US$ 95,97.
Segundo Eduardo Marzbanian, analista da Eleven Financial, o ambiente geopolítico seguiu no radar dos investidores, ainda que com sinais de distensão.
"Os EUA e o Irã sinalizam retomada das negociações antes do fim do cessar-fogo, ainda em ambiente de elevada tensão. A Arábia Saudita pressiona pela continuidade do diálogo, evidenciando o esforço diplomático para evitar uma escalada", afirma.
O conflito no Oriente Médio chega ao 7º dia de cessar-fogo, ainda sob forte fragilidade, apesar do otimismo com as negociações.
Nesta terça-feira, 14, o presidente da China, Xi Jinping, defendeu um cessar-fogo “integral e duradouro” durante reunião em Pequim com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan.
Segundo a agência estatal Xinhua, Xi afirmou que a solução para o conflito passa por meios políticos e diplomáticos e que a China seguirá atuando de forma “construtiva” para promover a paz.
O líder chinês também ressaltou a necessidade de respeitar a soberania e a integridade territorial dos países do Oriente Médio e criticou o uso seletivo do direito internacional.
O analista da Eleven também destaca que, na América Latina, o avanço da Argentina em um acordo técnico com o Fundo Monetário Internacional (FMI) também pode ajudar a reduzir incertezas na região. "O entendimento pode destravar um desembolso de US$ 1 bilhão e aliviar pressões de curto prazo", diz.
A análise é corroborada por Perri. "Vejo que o conflito parece estar caminhando para algum tipo de arrefecimento, mas sem garantia de que esse movimento será perene", disse.