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Ibovespa fecha em queda enquanto NY bate recordes; dólar fica estável em R$ 4,99

CEO da Veedha Investimentos diz que o movimento divergente entre Brasil e EUA reflete, em parte, fatores técnicos e realização de lucros no mercado doméstico

Ibovespa interrompe recordes: o principal índice acionário da B3 interrompeu a sequência de cinco recordes consecutivos, em um movimento de realização de lucros após a forte valorização recente e a aproximação da marca simbólica dos 200 mil pontos (Germano Lüders/Exame)

Ibovespa interrompe recordes: o principal índice acionário da B3 interrompeu a sequência de cinco recordes consecutivos, em um movimento de realização de lucros após a forte valorização recente e a aproximação da marca simbólica dos 200 mil pontos (Germano Lüders/Exame)

Publicado em 15 de abril de 2026 às 17h26.

O Ibovespa fechou em queda de 0,46% nesta quarta-feira, 15, aos 197.737 pontos, depois de oscilar entre 196.966 pontos na mínima e 199.232 pontos na máxima. Com isso, o principal índice acionário da B3 interrompeu a sequência de cinco recordes consecutivos, em um movimento de realização de lucros após a forte valorização recente e a aproximação da marca simbólica dos 200 mil pontos.

No câmbio, o dólar à vista encerrou o dia praticamente estável, em leve baixa de 0,03%, cotado a R$ 4,9922, após oscilar entre R$ 4,9850 e R$ 5,0024. A moeda seguiu próxima da estabilidade ao longo de toda a sessão, refletindo um ambiente ainda sem direção clara, e renovando o menor patamar desde março de 2024.

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o comportamento do dólar acompanhou um cenário externo indefinido. "A divisa refletiu o movimento lateral do DXY, com o mercado em compasso de espera por sinais mais claros sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã, enquanto o petróleo oscilou, mas se manteve abaixo de US$ 100, reduzindo pressões adicionais" afirma.

O operador destaca que a ausência de um vetor mais claro, somada ao ajuste de posições após a recente valorização do real, contribuiu para a baixa volatilidade no câmbio.

Otimismo e cautela nas negociações no Oriente Médio

O desempenho mais contido nesta sessão ocorre após um dia de forte otimismo. Na terça-feira, 14, o Ibovespa registrou seu 18º recorde nominal e o quinto consecutivo, encerrando o pregão com alta de 0,33%, aos 198.657,33 pontos. Na máxima do dia, o índice chegou a 199.354,81 pontos, o maior nível de sua história, reforçando a proximidade da marca simbólica dos 200 mil pontos.

Além disso, o índice superou o recorde ajustado pela inflação, de 198.950,90 pontos, um patamar que não era alcançado desde 2008.

No cenário externo, o ambiente segue influenciado por fatores geopolíticos, com o conflito entre Estados Unidos e Irã como principal vetor de risco. Apesar do otimismo recente, cresce a avaliação de que o mercado pode estar superestimando a velocidade de uma resolução.

O risco sistêmico ligado ao Estreito de Ormuz permanece no radar, com potenciais impactos sobre energia, inflação e cadeias globais. O Fundo Monetário Internacional (FMI) já alertou para uma possível desaceleração global relevante em caso de prolongamento das tensões.

O mercado monitora a possibilidade de uma nova rodada de negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, que pode ocorrer nos próximos dias, segundo o presidente Donald Trump.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos anunciaram a interrupção completa do comércio marítimo iraniano. Segundo o comando militar americano, o bloqueio naval imposto no início da semana já conseguiu paralisar o fluxo econômico marítimo iraniano, responsável por cerca de 90% da atividade externa do país.

Além disso, o Livro Bege do Federal Reserve reforçou um cenário de inflação ainda pressionada. O documento destacou a alta disseminada de custos de energia e insumos, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, com impactos sobre frete, combustíveis e cadeias industriais ligadas ao petróleo.

Bolsas de NY renovam recordes e constrasta com o Ibovespa

Em Nova York, os índices tiveram desempenho misto, mas com novos recordes históricos. O Dow Jones caiu 0,15%, aos 48.463,72 pontos, enquanto o S&P 500 subiu 0,80%, aos 7.022,95 pontos, e o Nasdaq avançou 1,59%, aos 24.016,02 pontos. Tanto o S&P 500 quanto o Nasdaq renovaram seus recordes de fechamento.

Segundo Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, o movimento divergente entre Brasil e Estados Unidos reflete, em parte, fatores técnicos e realização de lucros no mercado doméstico. "A bolsa brasileira opera com um pouco de realização após a sequência de altas. É uma sessão mais volátil, enquanto lá fora não há consenso claro — o S&P sobe, mas o Dow cai”, afirma.

Marcatti acrescenta que o Ibovespa perdeu fôlego nesta quarta após a forte escalada recente, especialmente próximo dos 200 mil pontos, além de ser impactado por eventos técnicos, como o vencimento de contratos futuros e de opções. “Isso traz uma pressão adicional mais técnica sobre o índice”, diz.

No câmbio, Marcatti também aponta uma perda de impulso do real. “O dólar está de lado, sem grande fôlego para continuar a apreciação da moeda brasileira, que já teve um movimento forte recente. A quebra do nível de R$ 5 veio mais rápido do que o esperado”, afirma.

Para o economista, o mercado agora depende de novos gatilhos, como dados de inflação ou avanços concretos no cenário geopolítico, para retomar uma tendência mais definida.

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