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Ibovespa fecha em baixa de 1,65%: saiba o que derrubou a bolsa hoje

Enquanto o Ibovespa recuou, o dólar à vista fechou estável, após uma sessão de oscilações limitadas

Ibovespa cai mais de 1%: parte da queda do Ibovespa é explicada por um ajuste após o feriado de Tiradentes, na véspera (Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)

Ibovespa cai mais de 1%: parte da queda do Ibovespa é explicada por um ajuste após o feriado de Tiradentes, na véspera (Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)

Publicado em 22 de abril de 2026 às 17h30.

O Ibovespa ampliou as perdas no pregão desta quarta-feira, 22, e fechou em forte queda, em um movimento que contrasta com o avanço das bolsas americanas. O principal índice da B3 recuou 1,65%, aos 192.888 pontos, com 67 dos 82 papéis no vermelho e apenas oito em alta.

O desempenho foi pressionado por ações de maior peso. A Vale (VALE3) recuou 1,70%, enquanto os grandes bancos ampliaram as perdas, com Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC3 e BBDC4)  recuando quase 3%, acompanhados por BTG Pactual (BPAC11), Banco do Brasil (BBAS3) e Santander Brasil (SANB11), que também caíram mais de 2%.

Na ponta positiva, a Petrobras (PETR3 e PETR4) ficou entre as poucas altas do dia, acompanhando a alta do petróleo no mercado internacional, com avanço de 1,86% e 1,38%, respectivamente, mas sem força para impedir a queda do índice.

Em sentido oposto, os principais índices dos Estados Unidos encerraram em alta. O Dow Jones subiu 0,69%, assim como S&P 500, que avançou 1,05% e o Nasdaq, com alta de 1,64%, sustentados por uma temporada de balanços corporativos positiva e por um alívio, ainda que parcial, no cenário geopolítico.

Esse alívio veio após o presidente Donald Trump anunciar a extensão, por prazo indeterminado, do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. A decisão reduz momentaneamente o risco de uma escalada mais aguda no conflito e melhora a percepção global de risco, ainda que sem eliminar as incertezas.

O ambiente segue sensível, já que há relatos de ataques a embarcações e restrições no Estreito de Ormuz, mantendo no radar o risco de interrupções logísticas e energéticas. Com isso, o petróleo Brent, referência mundial, avançou mais de 3%, a US$ 101, 91 o barril. O WIT, mais usado nos EUA, também subiu 3,66%, a US$ 92,96.

Na prática, o mercado internacional parece operar em um "regime híbrido", em que de um lado há uma melhora tática no apetite por risco, suficiente para sustentar as bolsas americanas, mas ainda com um prêmio estrutural elevado, que limita ganhos mais expressivos, especialmente em ativos de mercados emergentes.

Por que o Ibovespa recuou enquanto NY avançou?

No Brasil, a dinâmica é mais negativa e combina fatores técnicos, fluxo e cenário doméstico. Parte da queda do Ibovespa é explicada por um ajuste após o feriado de Tiradentes, na véspera, quando a bolsa local permaneceu fechada enquanto os mercados globais recuaram.

"Apesar do anúncio de cessar-fogo, o conflito persiste. Há notícias de ataques a navios no Estreito de Ormuz e o petróleo está subindo. Além disso, os mercados fecharam em queda ontem quando o Ibovespa estava fechado. Ou seja, parte da queda é ajuste pelo feriado", afirma Fernando Siqueira, head de research da Eleven Financial.

Outro componente importante é o movimento de realização de lucros. Após se aproximar de máximas, a referência acionária brasileira chegou aos 195.733 pontos no último pregão antes do feriado e ficou próximo de superar os inéditos 200 mil pontos na semana passadaa, o mercado passa por uma correção técnica, na avaliação do Itaú BBA.

Relatório do banco, divulgado nesta quarta, aponta que o Ibovespa está em território de sobrecompra e em processo de ajuste, com suportes em 188.100 e 184.300 pontos que ainda preservam a tendência de alta no curto prazo. A retomada do movimento de valorização dependeria da superação da máxima recente, próxima de 199 mil pontos.

Esse processo ocorre em meio a um pano de fundo ainda incerto. “As perspectivas de avanço em um acordo entre Estados Unidos e Irã seguem cercadas de incertezas. Nos EUA, os índices estão esticados e, no Brasil, o Ibovespa também está próximo às máximas, mas ainda falta um impulso adicional para sustentar novas altas”, destaca o relatório.

Saída de R$ 4 bi de estrangeiros pressiona a bolsa

O fluxo estrangeiro também reforça a pressão negativa. Investidores internacionais retiraram recursos da bolsa brasileira por três sessões consecutivas, com saídas de R$ 1,03 bilhão no dia 15, R$ 771 milhões no dia 16 e R$ 2,42 bilhões no dia 17, somando ao todo R$ 4,2 bilhões de saída no período em que o Ibovespa também acumulou quedas.

A Eleven Financial também aponta, em relatório, que o cenário doméstico segue desafiador. A alta das expectativas de inflação para 2026, para perto de 4,7%, reforça a percepção de que a política monetária deve permanecer restritiva por mais tempo.

No campo fiscal, a distância entre a meta de superávit e as projeções de resultado negativo, somada à frustração com a arrecadação sobre dividendos, aumenta o ruído sobre a credibilidade das contas públicas, pressionando a curva de juros e os ativos locais.

Dólar fecha estável, abaixo de R$ 5

Enquanto o Ibovespa recuou, o dólar à vista fechou estável, após uma sessão de oscilações limitadas. O movimento ficou descolado da tendência de alta da moeda americana no exterior.

A moeda americana fechou sem variação, cotada a R$ 4,974, após oscilar entre R$ 4,9556 e R$ 4,9896. No exterior, o índice DXY, que mede a força da divisa frente a uma cesta de seis moedas de países desenvolvidos, atinha alta de 0,23%.

A valorização do petróleo deu suporte ao real, mas o avanço da moeda brasileira foi contido pela cautela dos investidores diante da persistência das tensões no Oriente Médio. Além disso, agentes de mercado avaliam que há pouco espaço para o dólar cair muito abaixo de R$ 5, considerando os riscos fiscais domésticos e a proximidade das eleições presidenciais.

"É importante lembrar que os fundamentos do Brasil não mudaram. No médio e longo prazo, ainda existem riscos relevantes para a moeda, especialmente o fiscal, que tende a se refletir no câmbio. Além disso, o risco inflacionário segue em alta — como já indicam dados como o Boletim Focus — e isso corrói o poder de compra, pressionando também a cotação do dólar ao longo do tempo", afirmou William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.

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