Ibovespa: saiba como o mercado se comporta nesta segunda-feira (2) (Germano Lüders/Exame)
Redação Exame
Publicado em 2 de março de 2026 às 16h40.
O sentimento de aversão ao risco provocado pelos conflitos no Oriente Médio parece ter durado pouco. O mercado acionário dos Estados Unidos, que começou o dia em baixa, inverteu sinal na tarde desta segunda-feira, 2, influenciando os negócios aqui no Brasil. O Ibovespa tem a seu favor a alta expressiva do petróleo no mercado internacional, provocada por bloqueios no estreito de Ormuz, por onde sai 20% da produção global da matéria-prima. Petrobras, empresa de peso do índice ajudou na reviravolta, assim como outras petrolíferas da carteira.
Às 16h30 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira subia 0,63%, aos 189.972 pontos. Na máxima do dia, o Ibovespa chegou aos 190.042 PRIO (PRIO3) tinha a maior alta do índice, avançando 5,05%. Os papéis preferenciais da Petrobras (PETR4) vinham em seguida, com alta de 4,17% e os ordinários (PETR3) subiam 4,1%.
A maior baixa do dia continuava sendo a Braskem (BRKM5). A companhia trabalha com nafta e etano, duas matérias-primas derivadas do petróleo e do gás natural. Ambas as commodities disparam no mercado internacional hoje, o que se torna mais uma pressão de custos para a Braskem, já mal das perdas.
O movimento ocorre após um fim de semana de intensificação do conflito no Oriente Médio. No sábado, 28, Estados Unidos e Israel lançaram ataques coordenados contra o Irã.
Horas depois, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, havia sido morto nos bombardeios — informação posteriormente confirmada pelo governo iraniano. No domingo, 1º, os ataques e retaliações continuaram, ampliando o temor de envolvimento de outros países da região.
Segundo Marianna Costa, economista da Mirae Asset, "a intensificação do conflito eleva substancialmente o prêmio de risco geopolítico embutido no petróleo", afirma. O barril do petróleo Brent chegou a superar os US$ 80, mas reduziu os ganhos e era negociado a US$ 77,65. O WTI, petróleo americano, avançava mais de 6%, a US$ 71.23.
Trump afirmou que as operações militares podem se estender por até quatro semanas, ou até que os "objetivos muito fortes" dos Estados Unidos sejam atingidos.
No mercado financeiro internacional, o dólar ganha força; o índice DXY, que compara a moeda americana a uma cesta de outras divisas, avançava 1%. Por aqui, o dólar subia em relação, mas desacelerava ganhos. Chegou a R$ 5,21, na máxima do dia, mas há pouco era negociado a R$ 5,16.
Nos Estados Unidos, as bolsas já operavam em terreno positivo, ainda que com ganhos moderados. O índice S&P subia 0,32%, o Nasdaq operava com leve alta de 0,58% e o Dow Jones avançava 0,17%.
Além do cenário geopolítico, a semana é marcada por uma agenda econômica carregada. No exterior, investidores acompanham os PMIs industriais e de serviços, além de indicadores do mercado de trabalho dos Estados Unidos, como o relatório Jolts, a pesquisa ADP e, principalmente, o payroll de sexta-feira, 6.
Também estão no radar discursos de dirigentes do Federal Reserve e a divulgação do Livro Bege, documento que subsidia a próxima decisão de política monetária, marcada para 18 de março.
No Brasil, o principal destaque é a divulgação do PIB do quarto trimestre de 2025, prevista para terça-feira, 3. A mediana das estimativas aponta para expansão de 0,1% no período e crescimento acumulado de 2,3% em 2025.
Ao longo da semana, também serão conhecidos dados como IPC-S, Índice de Confiança Empresarial, Focus, Caged, PNAD Contínua, balança comercial, produção industrial e indicadores da indústria automotiva.