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Ibovespa chega aos 196 mil pontos e renova recorde com otimismo sobre cessar-fogo

Investidores avaliam os dados de inflação dos EUA e do Brasil e mantêm foco nas negociações com o Irã no fim de semana, após um frágil acordo de cessar-fogo

 (Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)

(Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)

Publicado em 10 de abril de 2026 às 10h33.

Última atualização em 10 de abril de 2026 às 10h36.

O Ibovespa abriu as negociações desta sexta-feira, 10, em alta, acompanhando o movimento positivo da maior parte das blue chips mesmo com tom cauteloso dos mercados globais diante de dados de inflação e incertezas geopolíticas. Por volta das 10h30, o principal índice acionário da B3 subia 0,60%, aos 196.292 pontos, após oscilar entre 195.129 e 196.618 pontos, novo recorde intradiário

No mesmo horário, o dólar operava em queda frente ao real, recuando 0,67%, cotado a R$ 5,029, em meio à leitura de inflação doméstica e ao comportamento mais contido da moeda americana no exterior.

Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, os principais vetores do mercado nesta sessão são a divulgação do IPCA, no Brasil, e o CPI, nos Estados Unidos, em um ambiente global ainda sensível ao choque do petróleo e às incertezas no Oriente Médio.

No Brasil, o índice oficial da inflação brasileira registrou alta de 0,88% em março, acima das expectativas de mercado, que apontavam para avanço de 0,77%. Com isso, o índice acumulado em 12 meses voltou a acelerar, passando de 3,81% em fevereiro para 4,14%, reforçando a leitura de uma inflação ainda resistente no curto prazo.

Na avaliação de André Valério, economista sênior do Inter, o resultado foi amplamente impactado pelos efeitos globais do conflito envolvendo o Irã, os EUA e Israel, especialmente por meio da pressão sobre os preços de energia.

Apesar disso, o cessar-fogo temporário de duas semanas entre Estados Unidos e Irã reduz, ao menos no curto prazo, o risco de contaminação mais ampla da inflação via petróleo.

"O preço do barril tem operado abaixo de US$ 100 desde o anúncio do cessar-fogo, o que ajuda a conter pressões adicionais. Ainda assim, o cenário não é suficiente para trazer total tranquilidade ao Copom [Comitê de Política Monetária]", afirma.

Para o economista, o Banco Central deve manter o ritmo de cortes de juros em 25 pontos-base, apoiado pelo elevado nível de aperto monetário e pelo câmbio mais comportado, que tem permanecido abaixo de R$ 5,10.

No cenário internacional, o CPI dos Estados Unidos também está no radar dos investidores. O índice subiu 0,9% em março na comparação mensal, em linha com o esperado, após alta de 0,3% em fevereiro. Em 12 meses, a inflação americana avançou 3,3%, também dentro das projeções.

O núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, veio mais fraco: alta de 0,2% no mês, abaixo da expectativa de 0,3%, e avanço de 2,6% em 12 meses, também abaixo do consenso. O dado reforça a percepção de que, apesar das pressões recentes, a inflação subjacente segue relativamente controlada.

Futuros de NY sobem com CPI e foco nas negociações

Em paralelo, os futuros de Nova York registram leve avanço nesta sexta, refletindo a cautela dos investidores antes da reunião, prevista para o fim de semana, entre autoridades americanas e iranianas para discutir um possível acordo de paz.

O encontro ocorre após um cessar-fogo provisório firmado no início da semana, que inicialmente trouxe alívio aos mercados, mas passou a ser visto com ceticismo diante da fragilidade do acordo e da continuidade de tensões na região.

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