Ibovespa nesta terça, 28: (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 28 de abril de 2026 às 10h45.
Última atualização em 28 de abril de 2026 às 17h47.
O Ibovespa abriu as negociações desta terça-feira, 28, em forte queda, refletindo um movimento amplo de aversão ao risco. O principal índice da B3 chegou a recuar mais de 1% mas, por volta das 10h43, diminuiu as perdas com queda de 0,56%, aos 188.441 pontos, com 55 das 82 ações no campo negativo.
As perdas são puxadas principalmente pelas blue chips. A Vale (VALE3), por exemplo, caía 0,88%, às vésperas da divulgação de seu balanço, prevista para após o fechamento do mercado. Os grandes bancos também operam em queda, estendendo o desempenho negativo da sessão anterior e reforçando a pressão sobre o índice.
Na contramão, as petroleiras figuram entre as poucas altas do dia. As ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) avançava 0,72% e 0,55%, respectivamente, acompanhando a disparada do petróleo no mercado internacional.
No mesmo horário, o Brent subia 3,28%, a US$ 111,79 o barril, enquanto o WTI avançava 4,09%, a US$ 100,32. Ainda assim, o desempenho positivo da estatal não é suficiente para sustentar o índice.
Entre os destaques positivos, as ações da Metalúrgica Gerdau (GOAU4) e da Gerdau (GGBR4) lideravam os ganhos, com altas de 1,69% e 1,52%, respectivamente, após a divulgação do balanço do primeiro trimestre de 2026. A companhia reportou lucro líquido de R$ 1,012 bilhão, avanço de 33,8% na comparação anual.
No mercado de câmbio, o dólar apresenta leve alta frente ao real. Após atingir a máxima de R$ 5,0103, a moeda americana perdeu força e subia 0,08%, cotada a R$ 4,986, rondando a estabilidade.
O movimento dos ativos ocorre em um ambiente global marcado por cautela. Os mercados internacionais operam sob forte influência do cenário geopolítico, especialmente diante da escalada de tensões no Oriente Médio envolvendo Irã, Israel, Hezbollah e Estados Unidos.
O risco de interrupções no Estreito de Ormuz tem elevado o prêmio de risco no mercado de energia, impulsionando os preços do petróleo.
Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em queda, com Japão e China liderando as perdas, refletindo incertezas sobre a política monetária japonesa e menor apetite global por risco. A decisão do Banco do Japão de manter os juros reforça dúvidas sobre o ritmo de retirada de estímulos, enquanto, na China, prevaleceu o movimento de aversão.
A Coreia do Sul destoou, sustentada pelo setor de tecnologia, enquanto a Austrália acompanhou a pressão das commodities.
Na Europa, o clima é de cautela também com os principais índices operando no vermelho e apenas a bolsa de Milão (FTSE MIB) registrando alta de 0,64%. Os índices S&P 500 e Nasdaq também abriram as negociações em queda de 0,42% e 0,95%, respectivamente, após recordes nas últimas sessões. O Dow Jones, que vinha fechando no negativo, avança nesta terça, com alta de 0,37%.
No cenário doméstico, as atenções também se voltam para a inflação. A expectativa de aceleração do IPCA-15, pressionado por alimentos e energia, reforça a postura cautelosa do Banco Central. No campo político, o ambiente segue indefinido, com projeções indicando empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, segundo análise da Eleven Financial.