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Ibovespa cai pela 5ª vez seguida; dólar fecha estável abaixo de R$ 5

Os contratos futuros do petróleo fecharam em forte alta, nos maiores níveis em cerca de um mês

Ibovespa: principal índice da B3 recuou 0,51%, aos 188.618 pontos, após oscilar entre 189.578,50 na máxima e 187.236,80 na mínima (Germano Lüders/Exame)

Ibovespa: principal índice da B3 recuou 0,51%, aos 188.618 pontos, após oscilar entre 189.578,50 na máxima e 187.236,80 na mínima (Germano Lüders/Exame)

Publicado em 28 de abril de 2026 às 17h48.

Pela quinta sessão consecutiva, o Ibovespa encerrou o pregão desta terça-feira, 28, em queda. O principal índice da B3 recuou 0,51%, aos 188.618 pontos, após oscilar entre 189.578,50 na máxima e 187.236,80 na mínima. Já o dólar fechou praticamente estável frente ao real, com leve queda de 0,01%, cotado a R$ 4,982 — depois de tocar R$ 5,016 na máxima e R$ 4,972 na mínima do dia.

As perdas foram puxadas principalmente pelas blue chips. A Vale (VALE3) caiu 1,30%, a poucas horas da divulgação de seu balanço, prevista para após o fechamento do mercado. Parte dos grandes bancos também operou no vermelho, estendendo o desempenho negativo da sessão anterior e reforçando a pressão sobre o índice.

As ações preferenciais do Bradesco (BBDC4) recuaram 0,81%, assim como as units de BTG Pactual e Santander, este último com resultados previstos para quarta-feira, 29.

Na contramão, as petroleiras figuraram entre as poucas altas do dia. As ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) avançaram 0,72% e 0,32%, respectivamente, acompanhando a disparada do petróleo no mercado internacional.

Os contratos futuros do petróleo fecharam em forte alta, nos maiores níveis em cerca de um mês, em meio ao impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã. O Estreito de Ormuz segue praticamente fechado, comprometendo a exportação da commodity na região.

No fechamento, o Brent, referência global, para junho subiu 2,79%, a US$ 111,26 por barril, enquanto o WTI avançou 3,69%, a US$ 99,93. O Brent atingiu o maior nível desde 31 de março, e o WTI, parâmetro nos Estados Unidos, registrou sua alta mais expressiva desde 7 de abril.

Entre os destaques positivos do pregão, as ações da Metalúrgica Gerdau (GOAU4) e da Gerdau (GGBR4) ficaram entre as maiores altas do dia, com avanço de 4,55% e 4,16%, após a divulgação do balanço do primeiro trimestre de 2026. A companhia reportou lucro líquido de R$ 1,012 bilhão, avanço de 33,8% na comparação anual.

Segundo Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o Ibovespa acompanhou o movimento global, marcado pela aversão ao risco diante da escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã e da ausência de um acordo, o que mantém o petróleo acima de US$ 100 por barril.

No cenário doméstico, o mau humor também reflete os efeitos do choque de energia sobre a inflação. A leitura do IPCA-15, pressionada por alimentos e combustíveis, impacta o orçamento das famílias, eleva a rejeição ao governo e aumenta a probabilidade de medidas fiscais expansionistas.

Essa combinação, segundo Perri, "sustenta um ambiente de maior cautela nos mercados acionários, embora o Brasil tenha registrado uma queda mais moderada do que a observada em mercados desenvolvidos", afirmou.

"No mercado de juros, a reação também incorpora a alta do petróleo e os dados de inflação, que, mesmo abaixo das expectativas, reforçam o impacto dos preços de energia sobre a economia", acrescentou.

Entre os destaques negativos, Assaí (ASAI3) registrou forte queda, de 5,74%, após resultados fracos divulgados hoje, enquanto Hapvida (HAPV3) foi pressionada por perspectivas negativas para operação e crédito, segundo Perri. As ações caíram 8,52%.

Super-quarta no radar

Para a quarta-feira, 29, o foco dos investidores se volta à chamada “Super Quarta”, com decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. A expectativa é de manutenção dos juros pelo Federal Reserve e corte de 0,25 ponto percentual pelo Banco Central do Brasil, com atenção redobrada aos comunicados.

Segundo o operador, os mercados devem buscar sinais sobre como as autoridades monetárias avaliam os impactos do choque do petróleo sobre a inflação e quais serão os próximos passos da política de juros, especialmente diante de um ambiente global mais incerto.

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