Ibovespa: por volta das 15h30 (horário de Brasília), o principal índice acionário da B3 recuava 1,12%, aos 182.036 pontos (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 11 de maio de 2026 às 15h31.
Após abrir as negociações praticamente estável, o Ibovespa firmou queda ao longo desta segunda-feira, 11, pressionado principalmente pelo desempenho negativo de bancos e ações ligadas à economia doméstica. Por volta das 15h30 (horário de Brasília), o principal índice acionário da B3 recuava 1,12%, aos 182.036 pontos.
O movimento ocorre mesmo diante da forte alta de ações ligadas a commodities. A Vale (VALE3) subia 2,65%, enquanto petroleiras avançavam acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional. As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) tinham alta de 1,03% e as ordinárias (PETR3) de 1%, na véspera da divulgação do balanço do primeiro trimestre da estatal.
No câmbio, o dólar rondava a estabilidade, apesar do aumento da aversão ao risco no mercado internacional e das preocupações domésticas com inflação e juros. A moeda americana era negociada na casa de R$ 4,894 na tarde desta segunda, com ligeira queda de 0,01%.
O setor bancário, por outro lado, operava em bloco no vermelho e limitava o desempenho do índice brasileiro. Já as ações mais ligadas ao consumo e à atividade doméstica lideravam as perdas, pressionadas pela deterioração das expectativas para a inflação e pela percepção de que os juros podem permanecer elevados por mais tempo no Brasil.
O ambiente também reforça o movimento recente de rotação global de capital, em que investidores reduzem exposição a mercados mais sensíveis ao cenário de juros.
Mais cedo, o Boletim Focus, do Banco Central, mostrou uma nova revisão para cima das expectativas de inflação no Brasil — a nona alta consecutiva. E um dos principais vetores de pressão inflacionária segue no radar, já que o petróleo voltou a subir sem perspectiva de desfecho para a guerra envolvendo Irã e Israel.
"A grande ironia brasileira é que o país virou beneficiário relativo do caos global. Exportamos petróleo, commodities e alimentos justamente no momento em que o mundo precisa deles", afirma Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos.
O petróleo abriu a semana em forte alta. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmou que o conflito com o Irã "não acabou" e que ainda há trabalho a ser feito para conter o programa nuclear iraniano. O presidente Donald Trump, por sua vez, rejeitou a contraproposta de Teerã para encerrar a guerra. "Totalmente inaceitável", escreveu Trump no Truth Social.
O barril do WTI subia mais de 2%, a US$ 98,06. O Brent, referência global, chegou a superar os US$ 104. Desde o início da guerra, em fevereiro, os dois contratos acumulam alta de cerca de 40%.
Analistas do Citi avaliam que os preços podem subir ainda mais se não houver acordo. O banco destaca que o Irã controla o acesso ao Estreito de Ormuz, rota fundamental para o transporte de petróleo no mundo.
Apesar do recuo na bolsa brasileira, os principais índices acionários de Nova York operam em alta. O Dow Jones sobe 0,21%, enquanto o Nasdaq avançam puxado por ações de semicondutores como Micron e AMD, com alta de 0,32%. O S&P 500 também sobe 0,34%.
A semana passada foi positiva em Wall Street. S&P 500 e Nasdaq subiram mais de 2% e 4%, respectivamente, na sexta semana seguida de alta. O relatório de empregos de abril surpreendeu, com 115 mil vagas criadas, bem acima do esperado.
Nesta semana, o mercado acompanha os índices de inflação ao consumidor e ao produtor de abril, além da viagem de Trump à China para encontro com Xi Jinping.
Já os principais índices de ações da Europa fecharam em direções opostas nesta segunda, com investidores repercutindo as últimas tensões no Oriente Médio neste fim de semana.
No fechamento, o índice pan-europeu Stoxx 600 teve alta de 0,11%. O FTSE 100, da Bolsa de Londres, subiu 0,36%, e o DAX, de Frankfurt, teve leve ganho de 0,05%. O CAC 40, de Paris, por outro lado, caiu 0,69%.
O setor de defesa foi o principal destaque negativo. Empresas como Rheinmetall, Leonardo e Babcock chegaram a cair entre 3% e 5%, devolvendo ganhos da semana passada, quando havia expectativa de acordo de paz no Oriente Médio.
O índice sul-coreano Kospi fechou em nova máxima histórica, com alta de 4,32%. O SK Hynix, também da Coreia, disparou mais de 11%, acompanhando a valorização das ações de chips nos EUA.
Na China, as bolsas também subiram. O CSI 300 avançou 1,64%, impulsionado por dados de inflação acima do esperado em abril.
Japão e Austrália fecharam no vermelho. O Nikkei caiu 0,47%, pressionado pela queda de mais de 8% nas ações da Nintendo, após a empresa anunciar alta de preços do Switch 2. O ASX 200 australiano recuou 0,49%. A Índia também fechou em queda.