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Ibovespa cai e dólar fica estável, abaixo de R$ 5, com cautela em negociações EUA-Irã

O mercado monitora a possibilidade de uma nova rodada de negociações de paz entre Estados Unidos e Irã

O que move os mercados: os Estados Unidos anunciaram a interrupção completa do comércio marítimo iraniano (Germano Lüders/Exame)

O que move os mercados: os Estados Unidos anunciaram a interrupção completa do comércio marítimo iraniano (Germano Lüders/Exame)

Publicado em 15 de abril de 2026 às 12h00.

O Ibovespa iniciou as negociações desta quarta-feira, 15, alternando entre ganhos moderados e leves perdas, mas se firmou no campo negativo após uma sequência recente de fortes ganhos. Perto das 12h, o principal índice acionário da B3 recuava 0,48%, aos 197.710 pontos, em movimento de leve ajuste depois de cinco recordes consecutivos.

No câmbio, o dólar operava estável no mesmo horário. A moeda americana registrava não registrava variação e estava cotada a R$ 4,993, mantendo-se abaixo do patamar de R$ 5, como iniciou a semana, na segunda, 13.

O desempenho mais contido nesta sessão ocorre após um dia de forte otimismo. Na terça-feira, 14, o Ibovespa registrou seu 18º recorde nominal e o quinto consecutivo, encerrando o pregão com alta de 0,33%, aos 198.657,33 pontos. Na máxima do dia, o índice chegou a 199.354,81 pontos, o maior nível de sua história, reforçando a proximidade da marca simbólica dos 200 mil pontos.

Além disso, o índice superou o recorde ajustado pela inflação, de 198.950,90 pontos, um patamar que não era alcançado desde 2008.

Já o dólar caiu pela quinta sessão consecutiva na véspera, ainda que próximo da estabilidade, com recuo de 0,07%, a R$ 4,993, no menor nível em mais de dois anos.

Otimismo e cautela nas negociações no Oriente Médio

No cenário externo, os mercados globais iniciam esta quarta-feira em compasso mais moderado, após a sequência recente de valorização. O ambiente segue influenciado por fatores geopolíticos, com a guerra entre Estados Unidos e Irã como principal vetor de risco.

Apesar do otimismo recente, há avaliação de que o mercado pode estar superestimando a velocidade de uma resolução do conflito, segundo relatório da Eleven Financial. O risco sistêmico ligado ao Estreito de Ormuz permanece relevante, com potenciais impactos sobre energia, inflação e cadeias globais.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta para uma desaceleração global relevante em caso de prolongamento das tensões, enquanto projeções indicam inflação global em aceleração para 4,2% no fim do ano.

No campo geopolítico, o mercado monitora a possibilidade de uma nova rodada de negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, que pode ocorrer nos próximos dias, segundo o presidente Donald Trump.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos anunciaram a interrupção completa do comércio marítimo iraniano. Segundo o comando militar americano, o bloqueio naval imposto no início da semana já conseguiu paralisar o fluxo econômico marítimo iraniano, responsável por cerca de 90% da atividade externa do país.

"Esse cenário positivo ainda persiste, mas começa a perder força diante da ausência de novos fatos. Os investidores seguem otimistas com a possibilidade de uma solução diplomática entre Estados Unidos e Irã, o que poderia encerrar o conflito entre os países e permitir a reabertura do Estreito de Ormuz. No entanto, ainda há muitas incertezas, e nada está garantido nesse sentido", afirma Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX. 

A restrição ao tráfego marítimo já impacta os mercados internacionais, especialmente o petróleo. O Brent, referência global, sobe 0,38%, a US$ 95,15, enquanto o WTI para junho avança 0,84%, a US$ 88,93.

Bolsas globais operam sem direção única

As bolsas globais operam sem direção única. Na Ásia-Pacífico, o fechamento foi majoritariamente positivo, com destaque para o avanço de 2,07% do índice Kospi, na Coreia do Sul.

Já na Europa, o comportamento é mais lateral, com índices em sua maioria em queda, como o Stoxx 600 e as bolsas de Paris, Londres e Milão após a sequência de altas recentes. Apenas a bolsa de Frankfurt, a DAX, registrava leve alta de 0,18%.

Em Nova York, o Dow Jones também recua 0,36%, enquanto o S&P 500 e Nasdaq operam em alta de 0,34% e 0,86%, respectivamente, após a valorização recente. O foco dos investidores começa a migrar para a temporada de resultados corporativos, especialmente nos setores financeiro e de tecnologia, que devem ditar o ritmo dos mercados nas próximas sessões.

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