Invest

Ibovespa cai com Petrobras e balanços, enquanto NY sobe após payroll 'fraco'

Ibovespa intensifica queda puxado por varejistas e cautela antes do fim de semana; dólar também recua frente ao real

Ibovespa: índice recua após balanços e payroll dos Estados Unidos. (Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)

Ibovespa: índice recua após balanços e payroll dos Estados Unidos. (Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 7 de agosto de 2026 às 11h29.

Última atualização em 7 de agosto de 2026 às 13h43.

Priorizar nos meus resultados Google

O Ibovespa cai no último pregão da semana, após fechar a quinta-feira, 6, com queda de 1,23%. Por volta das 11h20 (horário de Brasília), o principal índice acionário da B3 recuava 1,76%, aos 172.455 pontos, embalado pelo resultado da Petrobras e pela reação de Wall Street ao payroll de julho dos Estados Unidos, divulgado mais cedo. O dólar comercial, por sua vez, recuava 0,44% e era negociado perto de R$ 5,084.

A Petrobras reportou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre na noite de quinta-feira, 6, uma alta anual de 96,8%, acima da expectativa do mercado. O conselho de administração aprovou ainda R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio, mas os seus papéis (PETR4) caíam 0,76%. A Vale (VALE3), outra companhia de peso do índice, operava próximo à estabilidade, com leve queda de 0,13%.

Entre os demais balanços do dia, a Porto registrou lucro líquido de R$ 879,4 milhões no trimestre, praticamente estável na base anual, e as ações (PSSA3) caíam quase 5%. Já a Magazine Luiza apresentou resultado operacional ligeiramente acima das expectativas, mas reduziu a projeção de crescimento da receita para 2026, levando os ativos (MGLU3) a caírem 6,13%.

Entre as principais altas, o destaque ficava com as ações do Fleury (FLRY3), que disparavam 9,73%. Na ponta negativa, as maiores quedas eram lideradas por Lojas Renner (LREN3), que recuava 11,80%, Engie Brasil (ENGI11), com queda de 5,12%, e Assaí (ASAI3), que perdia 5,77%.

No radar macroeconômico local, o Banco Central informou que a caderneta de poupança registrou em julho retiradas líquidas de R$ 7,153 bilhões, o maior volume de saques desde março e o segundo mês seguido de resgates. O dado chega dois dias após a Taxa Selic ser cortada em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano.

O relatório de emprego americano de julho também foi divulgado hoje e veio abaixo do esperado. A economia dos EUA fechou 23 mil vagas de trabalho fora do setor agrícola no mês, ante expectativa de criação de 85 mil postos, enquanto a taxa de desemprego recuou a 4,1%. Houve revisou dos dois meses anteriores para baixo.

O resultado fraco alterou as apostas do mercado sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed). "Para os mercados, as duas maiores preocupações eram os rendimentos dos títulos e a inflação. Esse número mais baixo ajuda a não reforçar a narrativa do Fed de que precisa elevar os juros”, conforme a diretora de investimentos da Nuveen, Saira Malik, à CNBC.

Petróleo sobe com tensão sobre Ormuz

O mercado de petróleo operava sem grandes variações, com investidores aguardando um possível acordo sinalizado pelo governo de Donald Trump para garantir a liberdade de navegação no estreito de Ormuz, uma das principais passagens para o transporte global de energia.

O Brent operava próximo de US$ 72 por barril, em queda de 0,1,46%, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) recuava 1,27%, negociado perto de US$ 78.

Irã e Omã negociam um acordo para definir rotas de passagem no estreito, segundo a imprensa internacional. Pelo modelo em discussão, navios entrando na região utilizariam águas iranianas, enquanto embarcações de saída passariam por águas sob controle de Omã.

A expectativa por uma solução diplomática contrasta com os movimentos em Teerã. A mídia estatal iraniana divulgou na quinta-feira, 6, um projeto que prevê restrições ao tráfego no estreito, atualmente em análise pelo Parlamento do país.

Bolsas internacionais

Os mercados acionários dos EUA operavam em alta, após o relatório de emprego de julho indicar uma perda inesperada de vagas, reforçando a expectativa de que o Federal Reserve (Fed) não tenha necessidade de elevar os juros no curto prazo.

O S&P 500 avançava 0,47%, enquanto o Nasdaq Composto liderava os ganhos entre os principais índices, com alta de 1%. O Dow Jones operava próximo à estabilidade, com leve alta de 0,07%.

O movimento colocava as bolsas americanas a caminho da segunda semana consecutiva de ganhos. O S&P 500 acumulava alta superior a 3% na semana, enquanto o Nasdaq caminhava para seu melhor desempenho semanal desde abril, com avanço de mais de 4%, impulsionado pela recuperação das ações de semicondutores.

As bolsas na Europa fecharam em alta. A bolsa de Londres subiu 0,32%, a de Frankfurt subiu 0,66%, a de Paris subiu 0,17% e o Stoxx 600 subiu 0,37%.

Os mercados da Ásia-Pacífico encerraram o pregão sem direção única, em meio à cautela dos investidores com as incertezas envolvendo a navegação no Estreito de Ormuz.

No Japão, o índice Nikkei 225 fechou em queda de 0,12%, aos 65.606,71 pontos, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, recuou 0,60%, aos 6.258,77 pontos, em uma sessão marcada por volatilidade. Na Austrália, o S&P/ASX 200 encerrou praticamente estável, aos 9.263,60 pontos.

Na China, o movimento foi positivo. O índice Hang Seng, de Hong Kong, subia 0,44% próximo ao fim do pregão, enquanto o CSI 300, que reúne as principais ações listadas em Xangai e Shenzhen, avançou 0,93%, aos 4.694,44 pontos.

O desempenho das bolsas chinesas foi apoiado pelos dados de comércio exterior do país. As exportações da China cresceram em julho acima das expectativas dos analistas, ajudando a melhorar o sentimento dos investidores em relação à economia chinesa.

Acompanhe tudo sobre:IbovespaAçõesDólar

Mais de Invest

Mega-Sena 3057 acumula e próximo prêmio chega a R$ 95 milhões

Amazon nos EUA quer ser dona de 90% das próprias entregas até 2029

Consul e Brastemp: como marcas brasileiras viraram propriedade de uma multinacional

Ibovespa cai com tensão no STF e realização de lucros, mas sobe 1,11% na semana