Cautela pesa nos mercados: bolsas globais recuam no 13° do conflito entre EUA, Israel e Irã (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 12 de março de 2026 às 11h38.
O Ibovespa ampliou as perdas no pregão desta quinta-feira, 12, pressionado pelo avanço do preço do petróleo em meio à continuidade da guerra no Irã e pelo resultado acima do esperado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro. Depois de abrir as negociações, às 10h, com queda de mais de 1%, às 11h29, o principal índice acionário da B3 recuava 2,24%, aos 179.839 pontos.
No mesmo horário, o dólar à vista, que registrava ligeira alta nas primeiras horas de pregão, passou a cair 0,89%, cotado a R$ 5,20, depois de ter fechado praticamente estável na sessão passada, a R$ 5,15.
Em paralelo, o petróleo do tipo Brent, referência internacional, também ampliava a valorização ao subir quase 9%, a US$ 100,19, diante dos noso ataques a estruturas petrolíferas no Oriente Médio e a navios no Estreito de Ormuz, rota de cerca de 20% de todo o petróleo produzido no mundo.
O WTI, usado como referência nos Estados Unidos, também avançava 9,25%, cotado a US$ 95,22. A escalada do conflito entre EUA, Israel e Irã segue dominando as negociações, com o conflito entrando no 13° dia.
Entre os novos desdobramentos da guerra, Omã evacuou embarcações no Estreito de Ormuz e o Iraque suspendeu operações em todos os terminais de petróleo após o ataque iraniano ao porto de Basra.
No Brasil, porém, também pesa a repercussão do IPCA de fevereiro. O indicador oficial da inflação no Brasil, fechou o mês em alta com 0,70 %, uma aceleração de 0,37 ponto percentual em comparação ao índice de 0,33% registrado em janeiro.
O resultado do último mês veio acima do esperado pelo mercado,que projetava alta de 0,65%, impulsionado por serviços, transportes e monitorados, levando o acumulado em 12 meses para próximo de 3,8%.
Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o dado reforça expectativas de manutenção da taxa básica de juros, a Selic, limitando otimismo para ações de crescimento. "O superávit comercial da primeira semana de março segue sustentando commodities, mas ruídos fiscais adicionam cautela", afirmou.
Em meio a esse cenário, 78 dos 84 papéis que compõem o Ibovespa recuam. O desempenho das blue chips pressiona negativamente o índice, com destaque para as ações da Vale (VALE3), que caem mais de 3%. O desempenho negativo é seguido pelo setor de mineração e siderurgia apesar da alta de 1,34% do minério de ferro na bolsa de Dalian, na China.
Os grandes bancos também recuam, principalmente as ações do Itaú (ITUB4), que tem mais de 9% de participação e cai mais de 3%.
As ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) avançam, acompanhando o avanço do petróleo, mas diminuíram os ganhos com altas de 0,49% e 0,38%, respectivamente. A Prio (PRIO3) lidera o pregão com alta de 3,62%.
As principais Bolsas da Ásia fecharam em queda, com destaque para o índice Nikei, no Japão, que caiu 1,04%.
As Bolsas da Europa também são pressionadas pelas preocupações com a nova alta dos preços do petróleo. O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, recuava 0,82%. Outras bolsas europeias também desvalorizavam como Frankfurt (-0,76%), Londres (-0,65%) e Paris (-1,04%).
Em Wall Streel, o índice Dow Jones também recuava 1,34%.. O S&P 500 cedia 1,22% e o Nasdaq caía 1,62%.