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Ibovespa acompanha exterior e recua com Irã; petroleiras amortecem queda

O movimento ocorre após um fim de semana de intensificação do conflito no Oriente Médio. No sábado, 28, EUA e Israel lançaram ataques coordenados contra o Irã

Painel de cotações na B3 (Germano Lüders/Exame)

Painel de cotações na B3 (Germano Lüders/Exame)

Publicado em 2 de março de 2026 às 10h32.

Última atualização em 2 de março de 2026 às 13h30.

O Ibovespa abriu a semana em queda nesta segunda-feira, 2, refletindo a piora do apetite ao risco no exterior após a escalada do conflito no Oriente Médio. Às 13h30, o principal índice da B3 recuava 0,30%, aos 188.256 pontos, com ampla maioria das ações no vermelho.

Dos 84 papéis que compõem o índice, 73 operavam em baixa no mesmo horário. Entre as maiores quedas estavam os papéis da Minerva (BEEF3), que caíam mais de 4%, seguidos por MRV (MRVE3), com recuo de 3,61%.

Varejistas como Assaí, Magazine Luiza, C&A e Azzas também figuravam entre as perdas mais acentuadas, com desvalorização superior a 2,5%.

Entre as blue chips, as ações da Vale operavam próximas da estabilidade, enquanto os grandes bancos acompanhavam o movimento predominante de queda, em linha com a aversão global a ativos de risco.

Na ponta positiva, apenas empresas ligadas a commodities escapavam do movimento negativo. As petroleiras lideravam os ganhos, impulsionadas pelo salto do petróleo no mercado internacional.

A Prio (PRIO3) avançava mais de 4%, seguida por Brava Energia (BRAV3), com alta de 3,76%. As ações ordinárias e preferenciais da Petrobras (PETR3 e PETR4) subiam mais de 3%, enquanto PetroRecôncavo (RECV3) ganhava mais de 2%.

Petróleo dispara e prêmio de risco aumenta

O movimento ocorre após um fim de semana de intensificação do conflito no Oriente Médio. No sábado, 28, Estados Unidos e Israel lançaram ataques coordenados contra o Irã.

Horas depois, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, havia sido morto nos bombardeios — informação posteriormente confirmada pelo governo iraniano. No domingo, 1º, os ataques e retaliações continuaram, ampliando o temor de envolvimento de outros países da região.

Segundo Marianna Costa, economista da Mirae Asset, o petróleo tipo Brent registra alta próxima a 10% em relação ao fechamento de sexta-feira, sendo negociado ao redor de US$ 80 por barril nesta segunda-feira. "A intensificação do conflito eleva substancialmente o prêmio de risco geopolítico embutido na commodity", afirma.

Os mercados acompanham com atenção o risco de interrupção no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do fluxo global de petróleo e volumes relevantes de gás natural. Trump afirmou que as operações militares podem se estender por até quatro semanas, ou até que os "objetivos muito fortes" dos Estados Unidos sejam atingidos.

Busca por proteção e agenda cheia

No mercado financeiro internacional, o dólar ganha força. O índice DXY avançava para a região de 98,4 pontos, atingindo o maior nível em cinco semanas. Em contrapartida, o rendimento do Treasury de 10 anos recuava para cerca de 3,93%, o menor patamar desde setembro de 2024, refletindo a busca por ativos considerados seguros.

As bolsas globais operavam em queda superior a 1% no início do pregão, com companhias aéreas e instituições financeiras entre as maiores perdas, em linha com a retração do apetite por risco.

Além do cenário geopolítico, a semana é marcada por uma agenda econômica carregada. No exterior, investidores acompanham os PMIs industriais e de serviços, além de indicadores do mercado de trabalho dos Estados Unidos, como o relatório Jolts, a pesquisa ADP e, principalmente, o payroll de sexta-feira, 6.

Também estão no radar discursos de dirigentes do Federal Reserve e a divulgação do Livro Bege, documento que subsidia a próxima decisão de política monetária, marcada para 18 de março.

No Brasil, o principal destaque é a divulgação do PIB do quarto trimestre de 2025, prevista para terça-feira, 3. A mediana das estimativas aponta para expansão de 0,1% no período e crescimento acumulado de 2,3% em 2025.

Ao longo da semana, também serão conhecidos dados como IPC-S, Índice de Confiança Empresarial, Focus, Caged, PNAD Contínua, balança comercial, produção industrial e indicadores da indústria automotiva.

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