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IBC-Br, Haddad na Febraban e Petrobras (PETR4): o que move o mercado

Bolsa de Paris perde mais de 2% durante a manhã diante das incertezas com as eleições do país

Radar: mercado acompanha novos movimentos do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT) (Ton Molina/NurPhoto/Getty Images)

Radar: mercado acompanha novos movimentos do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT) (Ton Molina/NurPhoto/Getty Images)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 14 de junho de 2024 às 08h42.

Última atualização em 14 de junho de 2024 às 08h52.

Os mercados internacionais operam majoritariamente em queda nesta sexta-feira, 14. Na Europa, as bolsas abriram em queda, com a bolsa de Paris perdendo mais de 2% diante das incertezas com as eleições do país que podem resultar, pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, na vitória da extrema-direita. Nos Estados Unidos, os índices futuros caem à espera de projeções da inflação e após os índices Nasdaq e S&P 500 registrarem novas máximas históricas ontem.

Por aqui, ainda impactado pelo temor fiscal, o Ibovespa futuro recua. Na Ásia, as bolsas fecharam em tom misto, com o Banco Central do Japão (BoJ) decidindo manter a taxa de depósitos inalterada na faixa de 0% a 0,1%. A decisão já era esperada pelo mercado, mas a novidade veio com a sinalização do BoJ em reduzir as aquisições dos títulos - o que será definido em sua próxima reunião, no fim de julho.

IBC-Br e expectativas de inflação nos EUA

Na agenda dos indicadores, o Banco Central (BC) divulga hoje, às 9h, o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Brasil), conhecido como a prévia do Produto Interno Bruto (PIB). A expectativa é que o indicador mostre um avanço de 0,40% em abril, após cair 0,34% em março.

No último Boletim Focus divulgado esta semana, o BC elevou a mediana do PIB para 2024 de 2,05% para 2,09%. Já para 2025, 2026 e 2026, o PIB se manteve em 2%. Já às 10h, O Ministério da Fazenda divulga o boletim Prisma Fiscal, com as previsões do mercado para os principais indicadores fiscais.

Nos Estados Unidos, às 11h, sai a pesquisa da Universidade de Michigan com as expectativas de inflação e a confiança do consumidor. O último dado divulgado da economia americana foi o Índice de Preços ao Produtor (PPI, na sigla em inglês), que registrou queda de 0,2% em maio enquanto mercado esperava variação positiva de 0,1%. Na comparação anual o índice ficou em 2,2%, também abaixo dos 2,5% esperado.

O PPI tem itens que compõem o Índice de Preço de Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês), principal referência para a inflação dos EUA, o que animou os mercados para alimentar as apostas em dois cortes de juros neste ano.

Haddad se reúne com setor bancário

O mercado acompanha com atenção redobrada o encontro do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), com representantes de grandes bancos em São Paulo, às 9h30. Haddad tem sido o foco do mercado nesta semana após o Senado ter devolvido sua medida provisória (MP) que limitava a compensação de crédito do PIS/Cofins para a manutenção da política de desoneração da folha de empresas e municípios até 2027. Haddad disse não ter "plano B" para compensar a desoneração depois da devolução da MP.

O movimento afundou a bolsa, já que gerou uma grande desconfiança no mercado sobre a perda de força do ministro. Ontem, em uma tentativa de contornar a situação, Haddad disse que o governo vai colocar propostas na mesa e manter um ritmo mais intenso de trabalho sobre a agenda de cortes de gastos, fazendo uma revisão ampla de despesas. Ao lado da ministra do Planejamento, Simone Tabet (MDB), Haddad disse que, juntos, o governo fará uma "revisão ampla, geral e irrestrita de gastos para 2025".

O Senado avaliou seis medidas de compensação para controlar as contas públicas, cobrindo os custos da desoneração da folha de empresas e municípios (refis de débitos com agências reguladoras, utilização do dinheiro esquecido em contas judiciais, nova repatriação, ‘taxação das blusinhas’ e atualização dos ativos no Imposto de Renda). Entretanto, as medidas somam, no total, R$ 16,8 bilhões de arrecadação adicional, ou seja, R$ 10 bilhões a menos do que a Fazenda diz ser necessário.

Petrobras (PETR4)

As ações da Petrobras (PETR4) podem sentir um impacto negativo hoje após a petroleira encerrar o processo competitivo para venda integral de sua participação na Metanol no Nordeste (Metanor). A participação é correspondente a 50% do capital votante e 34,54% do capital total. A fase vinculante para a venda tinha sido anunciada em dezembro de 2022.

A razão do interesse dos investidores é que a decisão pode marcar um retrocesso no plano de venda de ativos da empresa implementado pelo governo anterior e mantido pela administração do ex-presidente Jean Paul Prates. Como esse processo de desinvestimento é a contragosto do governo atual, pois vai contra a estratégia do Planalto de reativar as refinarias da petroleira para suprir a demanda doméstica, a decisão pode reavivar no mercado a percepção de interferência política na gestão da companhia.

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