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Hermès e dona da Gucci desabam na bolsa e provocam efeito cascata no luxo

Resultados abaixo do esperado de Hermès e Kering expõem fragilidade do setor de luxo em meio à escalada de tensões no Oriente Médio e desaceleração do consumo global de alta renda

Luxo: Kering, dona da Gucci, e Hermès sofrem perdas. (Christian Vierig/Getty Images/Bloomberg)

Luxo: Kering, dona da Gucci, e Hermès sofrem perdas. (Christian Vierig/Getty Images/Bloomberg)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 15 de abril de 2026 às 08h46.

O setor de luxo europeu começou o dia no vermelho. Os números do primeiro trimestre de Hermès e Kering, dona da Gucci, frustraram e acabaram desencadeando queda nas ações.

A percepção é de que o segmento, embora resiliente no longo prazo, segue bastante sensível a choques externos e mudanças no comportamento do consumidor global, segundo fontes ouvidas pela CNBC.

As ações da Hermès caíram 14% e os papéis da Kering recuaram 10%, liderando as perdas no Stoxx 600.

Esse movimento reflete não apenas os balanços, mas também o aumento da aversão ao risco diante da escalada das tensões envolvendo o Irã, que afetar a volatilidade dos papéis, além do consumo.

Hermès

No caso da Hermès, os números vieram positivos, mas insuficientes para sustentar o otimismo do mercado. A companhia reportou receita de 4,1 bilhões de euros ou US$ 4,8 bilhões no trimestre.

Apesar do crescimento de 5,6% na base anual, o montante ficou abaixo dos 7,1% projetados por analistas devido à desaceleração, especialmente em aeroportos e pontos de venda no Oriente Médio.

Analistas destacam que a queda das ações também incorpora um fator adicional de preocupação, isto é, a perda de tração da economia chinesa, que segue como um dos principais motores do consumo de luxo global.

Kering

A situação da Kering, por sua vez, reforça um quadro ainda mais desafiador. A companhia registrou receita de 3,57 bilhões de euros no trimestre, queda de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O principal ponto de pressão continua sendo a Gucci, que responde por parcela relevante do faturamento e apresentou retração de 8% nas vendas orgânicas, evidenciando que a marca ainda enfrenta obstáculos.

Além disso, a Kering detalhou que sua operação no Oriente Médio também sentiu o impacto da crise, com queda de 11% na receita de varejo na região, que hoje concentra 79 lojas e responde por 5% das vendas.

Efeito cascata

O movimento acabou se espalhando por todo o setor, atingindo nomes como Burberry, Christian Dior, LVMH e Moncler, com quedas moderadas, mostrando que o mercado revisou expectativas para o setor inteiro.

A dona da Louis Vuitton, inclusive, já reconheceu impactos diretos do conflito, ao indicar que a guerra reduziu em cerca de 1 ponto percentual o crescimento orgânico do trimestre, de acordo com informações coletadas pela CNBC.

Analistas ouvidos pelo canal, porém, apontam que mercados como Estados Unidos (EUA) e China continuam mostrando algum grau de resiliência no consumo de luxo.

Reestruturação

O CEO da Kering, Luca de Meo, deve apresentar um plano de reestruturação durante o Capital Markets Day na quinta-feira, 16, com foco em reposicionar a Gucci e melhorar a execução operacional do grupo.

"A Gucci continua sendo nossa principal prioridade."Luca de Meo, CEO da Kering

"Uma reestruturação completa está em andamento, com ações decisivas em relação aos clientes, à distribuição e, sobretudo, à oferta", detalhou de Meo em fala repercutida pela CNBC.

Mas os especialistas avaliam que os resultados recentes das companhias funcionam como um "choque de realidade", e indicam uma tendência de manutenção da volatilidade no curto prazo.
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