Irã: conflito envolvendo EUA e Israel pode elevar inflação ao redor do mundo. (CSA-Archive/Getty Images)
Repórter de Invest
Publicado em 4 de março de 2026 às 09h44.
O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã pode desencadear uma nova onda global de inflação em 2026, segundo estudo da Bloomberg Economics.
A análise aponta que a interrupção no fornecimento de petróleo com o fechamento de rotas marítimas estratégicas poderia elevar o preço do barril para até US$ 108.
Isso aumentaria os custos de energia, voltando a pressionar a inflação e colocando os bancos centrais diante de uma escolha difícil: subir os juros para segurar os preços ou evitar uma desaceleração mais forte da economia.
Os sinais do conflito já estão indicando um agravamento da situação econômica global, especialmente no meio petrolífero, com a maior refinaria de petróleo da Arábia Saudita sendo fechada.
Além disso, o Catar interrompeu as operações na maior instalação de gás natural liquefeito do mundo. Tudo isso em meio à paralisação do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento do óleo no mundo.
O fechamento de Ormuz já provocou um aumento imediato nos preços do óleo e do gás, além de perdas nos mercados de ações.
É justamente a interrupção prolongada dessa rota que poderia elevar os preços do petróleo em até 80% em relação aos níveis anteriores à guerra, para US$ 108 por barril, de acordo com a pesquisa da Bloomberg.
A escalada nos preços do petróleo impõe, também, um desafio direto às autoridades monetárias, porque, se o barril atingir US$ 108, a inflação nos EUA poderia superar 3% até o fim de 2026, acima da meta de 2%.
Isso levaria a uma pausa nos cortes dos juros e poderia forçar novas altas, colocando o mandatário do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, em uma situação delicada com o presidente Donald Trump, que quer taxas menores.
Os dados da Bloomberg Economics indicam, ainda, que o impacto no crescimento seria mais direto para a Europa e para o Reino Unido, especificamente, por estes serem importadores de energia.
O choque energético poderia reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) da área do euro em 0,6% e o do Reino Unido em 0,5%, enquanto a inflação nesses locais teria um impulso de cerca de 1,1 ponto percentual.
Já a China enfrentaria uma pressão adicional, pois é grande importadora de petróleo. Por se beneficiar de compras com desconto do Irã e da Venezuela, o país poderia ver sua inflação subir 0,8 p.p.
O levantamento da Bloomberg Economics mostra, ainda, que um aumento de valores do petróleo poderia eliminar o déficit orçamentário russo, fornecendo ao Kremlin recursos adicionais para financiar a guerra contra a Ucrânia.
É improvável, ademais, esperar uma melhora rápida na relação do Irã com os EUA, mesmo com um possível desfecho para a guerra e mudanças no futuro político do país persa.
Caso um cessar-fogo seja alcançado e o petróleo retorne ao patamar de US$ 65 por barril, os riscos para a economia global poderiam ser mitigados, mas o cenário ainda é incerto, acrescenta o estudo.