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Guerra no Irã reduz PIB global e muda rumo dos juros, aponta Goldman Sachs

Banco vê impacto limitado sobre cadeias globais e menor risco de inflação disseminada fora do setor energético

Goldman Sachs: banco destaca risco inflacionário, mas vê cadeias produtivas mais resilientes que no pós-pandemia. (Ramin Talaie/Corbis/Getty Images)

Goldman Sachs: banco destaca risco inflacionário, mas vê cadeias produtivas mais resilientes que no pós-pandemia. (Ramin Talaie/Corbis/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 17 de março de 2026 às 09h30.

Os impactos econômicos da guerra no Irã devem se concentrar no setor de energia, com efeitos mais limitados sobre cadeias globais de suprimentos e inflação fora desse segmento, segundo relatório do Goldman Sachs.

A alta recente nos preços do petróleo e do gás natural, impulsionada sobretudo pelo fechamento do Estreito de Ormuz, deve reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) global em cerca de 0,3% ao longo do próximo ano.

Ao mesmo tempo, adiciona entre 0,5 e 0,6 ponto percentual à inflação cheia. O impacto sobre a inflação subjacente, por sua vez, tende a ser mais moderado, entre 0,1 e 0,2 ponto percentual.

Já a inflação global, medida no quarto trimestre contra igual período do ano anterior, foi elevada de 2,3% para 2,9%.

A revisão nos preços de energia levou o banco a ajustar suas projeções macroeconômicas, passando a estimar crescimento global de 2,6% em 2026, ante 2,9% antes do conflito.

Impacto está concentrado

O Goldman destaca, ainda, que a atual crise é diferente do episódio de 2021 e 2022, quando gargalos nas cadeias globais de produção ampliaram pressões inflacionárias de forma disseminada no pós-pandemia de covid-19.

Desta vez, o choque de oferta parece estar mais estreitamente concentrado no setor de energia, segundo o relatório, o que tende a limitar efeitos secundários mais amplos.

Um dos principais fatores para essa diferença é a baixa exposição comercial global ao Oriente Médio fora do segmento energético.

Embora países da região tenham participação relevante na produção de alguns insumos químicos e metais, esses produtos representam parcela pequena do PIB global.

Eles não devem gerar gargalos críticos capazes de interromper cadeias produtivas de forma generalizada.

Os analistas destacam que os aumentos recentes de preços nesses insumos sugerem impacto adicional limitado sobre a inflação global, estimado em cerca de 0,1 ponto percentual.

Logística e riscos inflacionários

Já os custos de transporte marítimo recuaram desde o início do conflito, enquanto o frete aéreo apresentou alta, mas com impacto reduzido sobre a inflação global, estimado em poucos pontos-base.

Ainda assim, o banco alerta que os riscos permanecem assimétricos, com restrições no Estreito de Ormuz.

Uma eventual intensificação da crise energética pode gerar efeitos não lineares, especialmente via expectativas de inflação e repasses de custos, segundo relatório do Goldman Sachs.

"A magnitude do choque energético provavelmente suscitará alguma cautela e, consequentemente, adiamos nossa previsão de cortes em diversas economias."Relatório do Goldman Sachs

Política monetária mais cautelosa

O cenário de energia mais cara já tem reflexos nas expectativas de política monetária.

Para o banco, a reação dos mercados indica que bancos centrais devem manter postura cautelosa diante do risco inflacionário, adiando cortes de juros em diversas economias desenvolvidas.

O principal risco de política econômica reside na possibilidade de efeitos de segunda ordem — como reajustes salariais e repasses mais amplos de preços — sustentarem a inflação por mais tempo.

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