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Guerra no Irã: 4 pontos para entender a disparada do preço do petróleo

Escalada do conflito no Oriente Médio e interrupções no transporte e na produção elevam o risco de choque na oferta global

Petróleo na maior alta desde 1998: preço chegou a ficar próximo de US$ 120 pelo barril diante do acirramento do conflito e da ameaça de redução na produção

Petróleo na maior alta desde 1998: preço chegou a ficar próximo de US$ 120 pelo barril diante do acirramento do conflito e da ameaça de redução na produção

Publicado em 9 de março de 2026 às 14h47.

A disparada recente do petróleo reflete a rápida deterioração do cenário geopolítico no Oriente Médio e o temor de interrupções relevantes na oferta global de energia. A intensificação da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, somada a bloqueios em rotas estratégicas e a cortes de produção na região, elevou a percepção de risco no mercado e impulsionou as cotações da commodity.

Em poucos dias, o conflito passou a afetar não apenas o humor dos investidores, mas também o fluxo físico de petróleo e gás natural.

Nesta segunda-feira, 9, o petróleo chegou a disparar quase 30%, na maior variação diária desde 1988, e ficar próximo de US$ 120 pelo barril diante do acirramento do conflito e da ameaça de redução na produção.

A seguir, quatro pontos ajudam a entender por que as cotações do petróleo subiram de forma tão expressiva nos últimos dias.

1. Escalada do conflito no Oriente Médio

O fator mais imediato por trás da alta do petróleo é o agravamento da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A intensificação das hostilidades elevou o temor de uma interrupção mais prolongada na oferta global de energia e levou o mercado a reagir com forte volatilidade.

Os contratos do petróleo Brent chegaram a subir cerca de 30% em um único dia — a maior variação desde o início das negociações de futuros, em 1988 — aproximando-se de US$ 120 por barril. A cotação saiu de US$ 92,69 e atingiu US$ 119,46 no pico das negociações na noite de domingo (horário de Brasília), o maior nível desde junho de 2022.

Já no início da tarde desta segunda, o Brent ainda registrava alta superior a 10%, perto de US$ 100 por barril, enquanto o WTI era negociado ao redor de US$ 102.

Além da escalada militar, o mercado também reage à incerteza sobre a duração da crise. Mesmo que o conflito termine rapidamente, analistas apontam que danos a instalações, interrupções logísticas e o aumento do risco para o transporte marítimo podem manter os preços elevados por semanas ou meses.

O impacto já começa a aparecer em outros produtos energéticos. Os contratos de gasolina nos Estados Unidos atingiram cerca de US$ 3,22 por galão, o maior patamar desde 2022.

2. O risco estratégico no Estreito de Ormuz

Outro ponto central para a disparada das cotações é a situação do Estreito de Ormuz, uma das rotas energéticas mais importantes do mundo.

A passagem marítima conecta o Golfo de Omã ao Golfo Pérsico e, em seu ponto mais estreito, tem cerca de 33 quilômetros de largura. Por ela passam aproximadamente 20% de todo o petróleo transportado globalmente e entre 20% e 25% do comércio mundial de gás natural.

A região é cercada por alguns dos principais produtores de petróleo do planeta, como Irã, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Omã. Grande parte dessa energia é destinada a mercados asiáticos, incluindo Japão, Coreia do Sul, Índia e China.

O governo iraniano confirmou o fechamento da passagem e ameaçou atacar qualquer embarcação que tente atravessá-la. Desde então, ao menos nove navios comerciais foram atingidos na região, com seis tripulantes mortos.

O controle da área está nas mãos da Guarda Revolucionária iraniana, que utiliza minas, drones e embarcações rápidas como parte da estratégia naval. Em meio à escalada militar, o presidente dos Estados Unidos afirmou que forças americanas destruíram dezenas de embarcações iranianas em operações recentes.

A interrupção dessa rota causa forte preocupação no mercado, já que, em condições normais, o fluxo de petróleo que passa pelo estreito movimenta entre US$ 300 milhões e US$ 360 milhões por dia.

3. Cortes de produção e dificuldades de escoamento

A guerra também começa a afetar a oferta física de petróleo no mercado internacional.

Países produtores da região já iniciaram cortes na produção devido à dificuldade de exportar por rotas marítimas. No Iraque, a produção nos campos do sul caiu cerca de 70% porque os estoques atingiram a capacidade máxima sem que o país consiga escoar o petróleo.

O país reduziu cerca de 1,5 milhão de barris por dia por falta de capacidade de armazenamento e exportação, e autoridades alertam que esse volume pode chegar a 3 milhões de barris caso as exportações não sejam retomadas. Antes da crise, a produção iraquiana era de cerca de 4,1 milhões de barris por dia, aproximadamente 4% da produção mundial.

O Kuwait também anunciou cortes na produção após declarar “força maior” nas exportações devido à interrupção no Estreito de Ormuz. Nos Emirados Árabes Unidos, a Abu Dhabi National Oil Company informou que está ajustando os níveis de produção offshore para preservar flexibilidade operacional.

Outros pontos da cadeia energética também foram afetados. O Catar suspendeu operações em instalações de gás natural liquefeito responsáveis por cerca de 20% da oferta global de gás natural, enquanto a Arábia Saudita interrompeu a produção na refinaria de Ras Tanura, com capacidade de 550 mil barris por dia.

As interrupções começam a provocar reações de países consumidores, especialmente na Ásia. Segundo informações da Reuters, a Coreia do Sul divulgou nesta segunda que estuda impor um teto aos preços domésticos de combustíveis.

O Japão também divulgou que avalia liberar reservas estratégicas de petróleo, enquanto o Vietnã planeja eliminar tarifas de importação de combustíveis para garantir o abastecimento.

Já fonte com conhecimento do assunto na China disseram á agência que Pequim solicitou às refinarias que suspendam a assinatura de novos contratos de exportação de combustíveis e que tentem cancelar embarques já comprometidos.

Em Bangladesh, a medida adotada será fechar todas as universidades, antecipando as férias do Eid al-Fitr como parte de medidas emergenciais para economizar eletricidade e combustíveis.

4. Ataques à infraestrutura e tensão política no Irã

Além das interrupções logísticas e produtivas, o mercado também acompanha os ataques diretos a instalações energéticas na região.

Foram registrados incêndios em zonas industriais nos Emirados Árabes Unidos, ataques com drones a campos petrolíferos na Arábia Saudita e declarações de força maior em refinarias no Bahrein após bombardeios.

Os bombardeios de Israel sobre o Irã também atingiram pelo menos quatro depósitos de combustível e um centro logístico durante este final de semana, provocando grandes incêndios que levaram as autoridades a emitir sinal de alerta para chuva ácida.

O ministro da Energia de Israel, Eli Cohen, afirmou que os depósitos atingidos são utilizados pelos militares iranianos. Ele também indicou que refinarias e usinas de energia podem se tornar alvos nos próximos dias.

Enquanto isso, o conflito continua a se espalhar pela região. As autoridades iranianas têm respondido com ataques de mísseis e drones contra Israel e contra países do Golfo que abrigam interesses americanos, ampliando o risco de desestabilização no Oriente Médio e de impactos no mercado global de petróleo.

No plano político, o país também passou por uma mudança significativa. O Irã anunciou a nomeação de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo, após a morte de seu pai, Ali Khamenei, nos primeiros ataques da ofensiva conduzida por Estados Unidos e Israel contra Teerã.

A decisão foi tomada pela Assembleia de Especialistas, órgão responsável por escolher a principal autoridade política e religiosa da República Islâmica. Mojtaba, considerado um clérigo de escalão intermediário, já era apontado como um dos favoritos nos bastidores devido à influência sobre forças de segurança e redes empresariais ligadas ao regime.

A escolha sinaliza a continuidade da ala mais rígida no comando do país em meio à escalada militar. Autoridades iranianas afirmam que o país não busca um cessar-fogo e prometem retaliar os ataques, o que reduz a perspectiva de uma descompressão rápida da crise e mantém o mercado de energia sob forte tensão.

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