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Grandes gestores veem ganhos de dois dígitos para bolsas em 2023

Mesmo após o recente rali, o índice MSCI All-Country World está a caminho de seu pior ano desde a crise financeira global em 2008

Mercados: o índice MSCI All-Country World está a caminho de seu pior ano desde a crise financeira global em 2008 (Getty/Getty Images)

Mercados: o índice MSCI All-Country World está a caminho de seu pior ano desde a crise financeira global em 2008 (Getty/Getty Images)

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Bloomberg

Publicado em 9 de dezembro de 2022, 11h05.

Alguns dos maiores investidores globais preveem que os mercados acionários terão ganhos de dois dígitos baixos no próximo ano, o que traria alívio depois das piores perdas desde 2008.

Em meio ao otimismo recente de que a inflação fez pico - e que o Federal Reserve pode começar a mudar de tom em breve - 71% dos entrevistados em uma pesquisa da Bloomberg News esperam valorização dos índices acionários, contra 19% que preveem quedas. Para os que projetam ganhos, a resposta, em média, foi de 10% de retorno.

A pesquisa informal com 134 gestores de fundos incorpora as opiniões de grandes investidores, entre eles BlackRock, Goldman Sachs Asset Management e Amundi. O levantamento fornece uma visão sobre os grandes temas e obstáculos esperados em 2023, depois que a inflação, a guerra na Ucrânia e o aperto monetário dos bancos centrais reduziram os retornos das ações este ano.

No entanto, o mercado acionário pode ser descarrilado novamente por uma inflação teimosamente alta ou uma recessão profunda. Essas são as principais preocupações para 2023, citadas por 48% e 45% dos participantes, respectivamente. Os índices acionários também podem atingir novas mínimas no início do ano que vem, e muitos acreditam que os ganhos devem vir no segundo semestre.

“Embora possamos enfrentar recessão e lucros em queda, já descontamos parte disso em 2022”, disse Pia Haak, diretora de investimentos do Swedbank Robur, maior gestora de ativos da Suécia. “Teremos melhor visibilidade em 2023 e esperamos que isso ajude os mercados.”

Mesmo após o recente rali, o índice MSCI All-Country World está a caminho de seu pior ano desde a crise financeira global em 2008. O S&P 500 deve encerrar 2022 com desempenho igualmente fraco.

A crise energética na Europa e sinais de crescimento econômico mais lento limitam a valorização do mercado acionário, mesmo quando a China começa a aliviar parte das duras restrições para combater a Covid. Além disso, há temores crescentes de que a desaceleração já em curso em muitas economias vai afetar os lucros.

A pesquisa da Bloomberg foi conduzida por repórteres que consultaram gestores de fundos e estrategistas de grandes empresas de investimento entre 29 de novembro e 7 de dezembro deste ano.

Techs estão de volta

Hideyuki Ishiguro, estrategista sênior da Nomura Asset Management, espera que 2023 seja “exatamente o oposto deste ano”. Parte disso se deve aos “valuations”, que caíram e deixaram o índice MSCI ACWI perto de sua relação preço/lucro média de longo prazo de 12 meses.

Quando se trata de setores específicos, os entrevistados geralmente preferem empresas que podem garantir lucros durante uma crise econômica. Pagadores de dividendos e ações dos setores de seguros, saúde e baixa volatilidade estavam entre as escolhas, enquanto alguns preferem bancos e mercados emergentes, entre eles Índia, Indonésia e Vietnã.

Depois de sofrer este ano com a alta das taxas de juros, as ações de tecnologia dos EUA também podem novamente atrair investidores, de acordo com a pesquisa. Mais da metade dos entrevistados disse que faria compras seletivas no setor.

Com os valuations ainda relativamente baixos, apesar do rali recente, e expectativa de queda dos rendimentos dos títulos no ano que vem, gigantes da tecnologia como Apple, Amazon.com e Alphabet, controladora do Google, devem se beneficiar, disseram os gestores.

Alguns estão otimistas com a China, principalmente com a flexibilização da Covid Zero. Uma queda no início deste ano colocou os valuations de empresas chinesas bem abaixo da média de 20 anos, tornando-as mais atraentes em comparação com companhias americanas ou europeias.