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GPA pede recuperação extrajudicial para quitar dívida de R$ 4,5 bi

Dona do Pão de Açúcar protocola proposta que envolve obrigações sem garantia, principalmente com bancos

GPA: dona do Pão de Açúcar entra com pedido de recuperação extrajudicial

GPA: dona do Pão de Açúcar entra com pedido de recuperação extrajudicial

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 10 de março de 2026 às 09h48.

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) protocolou no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) um pedido de homologação de um plano de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas financeiras.

A proposta envolve apenas obrigações sem garantia, principalmente com bancos. Pagamentos a fornecedores, clientes e funcionários ficaram fora da renegociação. As operações nas 728 lojas da rede seguirão normalmente.

Isso ocorre em meio a uma concentração relevante de vencimentos no curto prazo. Cerca de 40% da dívida total vence nos próximos 12 meses, o que elevou a pressão sobre o caixa da companhia.

Em entrevista ao Valor, o CEO do GPA, Alexandre Santoro, afirmou que a empresa fez um diagnóstico de sua estrutura de capital e chegou à conclusão de que era necessário uma "solução organizada" para lidar com os vencimentos mais próximos. Segundo ele, o GPA tem 90 dias para concluir o acordo com o credores e as conversas "avançam bem", no sentido de obter quórum necessário para aprovação do plano em tempo mais curto.

Reestruturação já era esperada

Para o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, o movimento já vinha sendo sinalizado ao mercado nas negociações entre a empresa e seus credores.

"Pelo que vinha sendo comunicado ao mercado, já era algo que estava ficando alinhado entre os credores e o GPA. A dívida ficou muito apertada, principalmente em prazo, e o alongamento ajuda a deixar a empresa mais equilibrada", afirma.

O estrategista destaca que a empresa segue gerando caixa, mas enfrenta um peso elevado de despesas financeiras.

"A companhia gerou cerca de R$ 1,2 bilhão de caixa operacional em 2025, mas aproximadamente R$ 920 milhões foram consumidos por juros. Alongar a dívida, especialmente em um cenário de juros mais baixos, pode ajudar a tornar a operação mais sustentável no médio prazo", acrescenta.

Setor pulverizado reduz risco imediato

Na avaliação de Cruz, o caso do GPA também difere de outras crises recentes do varejo brasileiro porque o setor de supermercados é altamente pulverizado.

"O consumo de alimentos continua muito concentrado nas lojas físicas. Diferente de outros varejos, quando uma empresa tem dificuldade financeira os clientes não migram imediatamente para um concorrente online", afirma.

Essa característica também abre espaço para possíveis movimentos de consolidação. "Uma rede regional pode enxergar valor em estruturas já estabelecidas do GPA, principalmente em mercados estratégicos como São Paulo e Rio de Janeiro", detalha.

Apoio inicial de credores

O plano foi protocolado com apoio de credores que representam 46% da dívida incluída na renegociação, cerca de R$ 2,1 bilhões.

Entre as instituições que aderiram estão Itaú Unibanco, HSBC, Rabobank e BTG Pactual. Agora, a companhia terá até 90 dias para obter a adesão da maioria dos credores e concluir a reestruturação.

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