Fachada da B3 no centro de São Paulo: dia de estreia com a GetNinjas (Divulgação/Divulgação)
Repórter
Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 12h29.
Última atualização em 9 de janeiro de 2026 às 12h58.
O Ibovespa avança nesta sexta-feira, 9, sustentado por um ambiente macroeconômico mais favorável após a divulgação de dados fracos sobre o emprego nos Estados Unidos e da inflação brasileira. Por volta das 12h10, a bolsa brasileira operava em alta de 0,61%, aos 163.934 pontos. Na máxima do dia, o índice voltou a superar o patamar dos 164 mil pontos.
Do total de 83 ações que compõem o principal índice acionário do mercado local, 45 registravam alta, 26 estavam estáveis e apenas 12 recuavam.
Segundo João Daronco, analista da Suno Research, o movimento da bolsa acompanha de perto o comportamento do dólar, em um dia em que os dados macroeconômicos reforçaram as expectativas de um futuro corte de juros no Brasil.
Às 12h31, a moeda americana recuava 0,49% frente ao real, cotada a R$ 5,361.
Mais cedo, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o indicador oficial da inflação no Brasil, mostrou que o mês de dezembro fechou em alta, com 0,33%, uma aceleração de 0,15 ponto percentual em comparação ao índice de 0,18% registrado em novembro.
Com o resultado, a inflação encerrou 2025 em 4,26%, dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo Banco Central. O desempenho no ano passado foi o melhor desde 2018, quando a inflação oficial foi de 3,75%.
A divulgação do relatório oficial de empregos dos EUA, o payroll, que mostrou a criação de 50 mil vagas em dezembro, abaixo do consenso do mercado, que projetava cerca pde 73 mil postos de trabalho, deu impulso aos ativos brasileiros.
"Esse quadro aumenta a probabilidade de cortes na taxa de juros ao longo de 2026, o que tende a beneficiar o mercado acionário como um todo. O payroll dos Estados Unidos também não trouxe surpresas relevantes e não provocou movimentos bruscos nos mercados internacionais", afirmou Daronco.
Entre as maiores altas do dia estavam ações dos setores de saúde e petrolíferas, favorecidas pelo ambiente macro mais construtivo e pela perspectiva de juros mais baixos, que melhora as condições de financiamento e o apetite por risco.
No campo positivo estão as ações de Fleury (FLRY3) e Hapvida (HAPV3) que sobem 3,50% e 2,73%, respectivamente. As petrolíferas também avançam como PetroRecôncavo, Prio e Petrobras.
Na ponta oposta, as ações do Grupo Pão de Açúcar (GPA), negociadas sob o código PCAR3, recuam com a notícia de renúncia de Rafael Russowsky ao cargo de CFO e diretor de Relações com Investidores da companhia.
A decisão marca mais um movimento na mudança de controle e governança do grupo varejista, que tem passado por uma reestruturação profunda após a saída do Casino do bloco de controle. Para os analistas, o movimento adiciona ruído à tese da companhia, em meio a diversas mudanças recentes na administração e no conselho.
O JP Morgan reiterou recomendação underweight, que equivalente à venda, para o papel, afirmando que já esperava uma reação negativa do mercado.
O banco destaca que Russowsky liderava o processo de desalavancagem, ainda elevado, e as negociações relacionadas a passivos tributários do GPA. Além disso, o acúmulo das funções de CEO e CFO por Alexandre Santoro, com pouco tempo na companhia e em meio a uma nova rodada de iniciativas de corte de custos, pode elevar o risco de execução, segundo o banco.
Já as ações da Vale (VALE3) também operavam em baixa de 0,60%, movimento que, de acordo com o especialista da Suno, está mais relacionado à realização de lucros.
"A Vale subiu muito ao longo dos últimos pregões. Em 2025, ela subiu mais 50%. Hoje a queda é muito mais uma realização de lucro do que qualquer outra influência, ainda mais que não é uma queda muito substancial", afirmou Daronco.
Segundo ele, a retomada das negociações de uma megafusão entre Rio Tinto e Glencore não explicam a queda da mineradora nesta sexta.