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Goldman vê excesso de otimismo com cobre após disparada em 2025

Banco vê correção à frente e foca mineradoras com produção e caixa previsíveis

Goldman Sachs: previsão de correção de 15% no preço do cobre este ano (Spencer Platt/AFP)

Goldman Sachs: previsão de correção de 15% no preço do cobre este ano (Spencer Platt/AFP)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 14h18.

Depois de um rali expressivo em 2025, o Goldman Sachs revisou sua estratégia para o setor de mineração de cobre. Em relatório divulgado nesta terça-feira (13), o banco afirma que as ações de empresas do setor sob sua cobertura avançaram 108% no ano passado, movimento sustentado por uma alta de 42% no preço do cobre — especialmente intensa a partir de novembro.

Apesar da valorização, a equipe de commodities do banco mantém uma visão estruturalmente positiva para o metal no longo prazo. Segundo o relatório, para que a oferta consiga acompanhar o crescimento da demanda global, o preço do cobre precisaria alcançar US$ 15 mil por tonelada até 2035 (em termos nominais), acima do nível atual próximo de US$ 13 mil.

No curto prazo, porém, o diagnóstico é mais cauteloso. Para o Goldman Sachs, os fundamentos atuais não sustentam o patamar de preços observado no mercado à vista. O banco avalia que a alta adicional de cerca de 22% desde o fim de novembro foi impulsionada principalmente por fatores técnicos temporários e por uma melhora no sentimento macroeconômico — e não por uma mudança estrutural na relação entre oferta e demanda.

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A expectativa é de correção nos preços ao longo do quarto trimestre de 2026, com uma queda estimada em 14%. O banco destaca que um possível anúncio tarifário dos Estados Unidos no segundo trimestre pode sinalizar o fim do processo de destocagem e recolocar em evidência um cenário de fundamentos mais frouxos no mercado global, com superávit estimado em 300 mil toneladas em 2026.

Diante desse cenário, o Goldman Sachs afirma que sua preferência recai sobre empresas cujos resultados não dependem diretamente de novos avanços no preço do cobre. O banco destaca dois critérios principais: avaliações mais atrativas ou gatilhos operacionais específicos, como crescimento de produção ou exposição a outros metais.

Entre as recomendações de compra, a First Quantum aparece como a principal escolha do banco, por oferecer a melhor relação risco-retorno, especialmente em um cenário de retomada do projeto Cobre Panamá. A HudBay Minerals também figura entre as preferidas, com expectativa de forte geração de caixa livre — acumulando um carry de 32% entre 2026 e 2028, caso o crescimento da produção global de cobre se concretize até 2029.

Outra recomendação positiva é a Ero Copper, que, segundo o relatório, apresenta potencial de geração de caixa livre entre 12% e 16% nos anos de 2026 e 2027, mesmo sob premissas conservadoras de crescimento da produção.

Por outro lado, o banco mantém recomendação neutra para a Capstone, citando geração limitada de caixa livre até que o projeto Santo Domingo entre em operação, o que deve ocorrer apenas em 2029. Além disso, a empresa apresenta maior alavancagem operacional a eventuais quedas no preço do cobre.

O Goldman Sachs também vê espaço limitado para valorização no Grupo México, uma vez que o desconto em relação ao valor patrimonial já se encontra próximo da média histórica.

Na ponta negativa, a recomendação segue de venda para a SCCO. Embora seja o maior produtor global de cobre puro, o banco projeta queda na produção até 2027 e avalia que a ação negocia a múltiplos pouco atrativos, com EV/Ebitda estimado em 16 vezes para 2026 — bem acima da média de 6 vezes observada entre as empresas cobertas pelo banco.

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