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Goldman Sachs vê yuan 20% mais barato do que deveria

Banco elevou projeções para a moeda chinesa após superávit comercial recorde do país e do aumento do seu uso em pagamentos internacionais

China: acordos comerciais na Ásia fortalecem uso internacional do yuan. (SOPA Images / Colaborador/Getty Images)

China: acordos comerciais na Ásia fortalecem uso internacional do yuan. (SOPA Images / Colaborador/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 11 de maio de 2026 às 18h01.

A moeda chinesa pode estar muito mais barata do que deveria, pelo menos é essa a avaliação do Goldman Sachs. O banco indicou que o yuan está subvalorizado em mais de 20% em relação ao dólar.

A moeda teria, ainda, espaço para se fortalecer ao longo do próximo ano, impulsionada pela competitividade das exportações do país e pelo enfraquecimento natural da moeda dos Estados Unidos.

Isso porque o superávit externo da China atingiu níveis próximos de recordes quando comparado ao Produto Interno Bruto (PIB) global, de acordo com informações divulgadas pela Bloomberg.

Política também pode influenciar

Uma reunião prevista entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, em Pequim, nesta semana, pode ser um possível divisor de águas nas relações entre as duas potências.

O JP Morgan avalia que o encontro pode ajudar a levar o yuan ao patamar de 6,50 por dólar.

Já o Goldman Sachs concorda que a reunião tende a reduzir tensões comerciais, mas ressalta que os vetores de valorização da moeda são "mais estruturais e duradouros" do que um evento isolado.

As novas projeções do Goldman

A projeção para os próximos três meses passou de 6,85 para 6,80 yuans por dólar, ao passo que, para seis meses, a estimativa caiu de 6,80 para 6,70, segundo o Goldman Sachs.

O banco agora projeta o câmbio em 6,50 yuans por dólar, abaixo da previsão anterior, de 6,70. Atualmente, a moeda chinesa é negociada próxima de 6,80 por dólar, no melhor nível desde o início de 2023.

Tendência de alta ganha força

A China vem, além disso, ampliando sua estratégia para transformar o yuan em uma moeda mais presente no comércio internacional, no intuito de avançar a desdolarização.

O yuan deve continuar se valorizando aos poucos, mas de forma consistente na avaliação do Goldman.

Nos últimos meses, Pequim intensificou acordos com países do Sudeste Asiático permitindo pagamentos em moedas locais e em yuan por meio de aplicativos digitais adaptados a cada mercado.

Um dos objetivos é fortalecer a integração econômica da China com seus principais parceiros asiáticos na busca por autonomia financeira, segundo a economista-chefe para a Ásia do banco francês Natixis, Alicia Garcia-Herrero.

Pequim também tenta expandir o uso da moeda por meio do turismo e do consumo doméstico. O governo flexibilizou regras de visto e incentivou o fluxo turístico com países da Associação de Nações do Sudeste Asiático.

*Com informações de Matheus Gonçalves

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