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Goldman Sachs prevê alta de até 100% nos preços do gás natural

Ataques destruíram a maior instalação de GNL do mundo; banco americano vê risco de racionamento global se oferta não for restaurada até outubro

Gás Natural: instalações da Ras Laffan Industrial City, no Catar, foram severamente danificadas por ataques militares recentes. (Peter Dazeley/Getty Images)

Gás Natural: instalações da Ras Laffan Industrial City, no Catar, foram severamente danificadas por ataques militares recentes. (Peter Dazeley/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 9 de abril de 2026 às 09h59.

O mercado global de gás natural enfrenta um choque de oferta após ataques militares danificarem gravemente a infraestrutura de liquefação do Catar, responsável por cerca de um quinto das exportações mundiais de Gás Natural Liquefeito (GNL), de acordo com dados do Goldman Sachs divulgados pelo Business Insider.

Os preços já acumulam alta entre 50% e 70%, e o banco projeta valorização adicional de 50% a 100% caso as interrupções persistam.

Os ataques atingiram a Ras Laffan Industrial City, a maior instalação de GNL do mundo, operada pela QatarEnergy. A empresa estima que a restauração completa da capacidade levará de três a cinco anos.

A co-responsável de pesquisa global de commodities do Goldman Sachs, Samantha Dart, detalhou que "o que eles realmente estão dizendo é que esses dois trens de liquefação foram tão danificados que precisamos começar do zero."

A corrida contra o inverno

O problema é amplificado pela sazonalidade do mercado. Os países dependem do período de abril a outubro para acumular estoques de gás antes do pico de consumo no inverno.

"Qualquer impacto que isso tenha causado nos estoques hoje, temos que compensar completamente até o final de outubro", acrescentou Dart em relatório.

A alta dos preços não foi ainda mais acentuada graças à China, cujo inverno mais ameno gerou excedentes redirecionados aos mercados internacionais, avaliou o banco.

O mercado enfrentará, assim, uma escassez estrutural, na avaliação dos analistas. Isso porque os Estados Unidos (EUA), maiores exportadores mundiais de GNL, não têm capacidade ociosa para preencher a lacuna rapidamente.

"Há um risco de que isso se arraste tanto que torne o processo muito doloroso."Samantha Dart, analista do Goldman Sachs

Já se a guerra no Irã for resolvida em breve, os preços podem ceder. Caso contrário, o banco prevê racionamento de demanda mais agressivo e uma alta acumulada sem precedentes recentes no setor.

Algo que poderia ter impactos diretos sobre inflação, custos industriais e segurança energética, especialmente na Europa e na Ásia.

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