GameStop: Warren Buffett explica por que não opera vendido no mercado

Para o bilionário investidor, a prática do 'short selling' é tentadora, mas ele tem razões práticas para não adotá-la como estratégia no mercado de ações
 (Bloomberg / Colaborador/Getty Images)
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Da RedaçãoPublicado em 30/01/2021 às 16:46.

A disputa entre investidores em torno das ações da GameStop e de outras companhias na semana que passou monopolizou as atenções do mercado financeiro de forma global.

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De um lado, fundos que apostavam na queda das cotações e que, portanto, estavam operando vendidos na ação, com opções de venda do papel, o short selling. Do outro, investidores de varejo que se mobilizaram em redes sociais -- no Reddit -- e saíram às compras para que os preços disparassem, para impor perdas aos fundos.

Para um dos maiores investidores de todos os tempos, o americano Warren Buffett, no entanto, essa é uma disputa da qual ele prefere não se envolver.

O Oráculo de Omaha ainda não se pronunciou sobre o caso, mas, ao longo de sua carreira de décadas, não escondeu que não opera com posição vendida, ou seja, apostando que ações específicas que vão ficar mais baratas e obter um ganho em cima disso.

“Short selling é algo interessante para se estudar. É tentador, mas já arruinou e quebrou muita gente”, disse Buffett em evento de sua holding, a Berkshire Hathaway, em 2001.

“No mercado, você verá ações sobrevalorizadas, de cinco a dez vezes o que valem, e também subvalorizadas, de 10% a 20% do que valem”, afirmou Buffett, ponderando em seguida que as discrepâncias são muito maiores do lado das sobrevalorizações e que quem está com essas ações faz o que pode para estimular os preços para que subam mais.

Segundo ele, o investidor que está vendido e começa a ver a ação subir, em vez de cair – exatamente como aconteceu com fundos hedge que tinham opções de venda da GameStop –, fica exposto a um jogo psicológico muito duro.

Se as ações não param de subir, esse investidor será obrigado a comprar os papéis a um preço mais alto e vendê-los com um valor menor, amargando prejuízos cada vez maiores. Na GameStop, foram prejuízos de bilhões de dólares para fundos que estavam vendidos.

“Não é para mim e acho que tampouco para Charlie (Munger, parceiro de décadas de Buffett na Berkshire) pelo fato de que você fica exposto a perdas ilimitadas”, concluiu o bilionário investidor na ocasião. Ele reiterou esse entendimento em 2006.