Fusão de Localiza e Unidas é positiva mesmo com restrições, diz analista

Cade recomenda aprovação do negócio desde que sejam adotadas mudanças para impedir concentração de mercado
Localiza é líder do setor de locação de veículos e a Unidas é sua principal concorrente | Foto: Pedro Vilela / Agencia i7/ Divulgação (Pedro Vilela / Agencia i7/Divulgação)
Localiza é líder do setor de locação de veículos e a Unidas é sua principal concorrente | Foto: Pedro Vilela / Agencia i7/ Divulgação (Pedro Vilela / Agencia i7/Divulgação)
Beatriz Quesada
Beatriz QuesadaPublicado em 08/09/2021 às 09:57.

A Superintendência-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomendou a aprovação da fusão entre Localiza (RENT3) e Unidas (LCAM3) desde que sejam adotadas algumas restrições, como a venda de ativos a concorrentes. 

A decisão deve ser bem recebida no mercado na visão de Vitor de Melo, analista do BTG Pactual Digital. “Os últimos posicionamentos do Cade sobre a questão eram mais rígidos, então a recomendação de compra será vista como positiva”, afirmou Melo na “Abertura de Mercado” desta quarta-feira, 8.

A compra da Unidas pela Localiza foi anunciada em setembro de 2020 e desde então está pendente de aprovação junto ao Cade. A Localiza é líder do setor de locação de veículos e a Unidas é sua principal concorrente, o que pode gerar concentração no mercado na avaliação do órgão antitruste. Com a fusão das duas companhias, apenas a Movida (MOVI3) será capaz de rivalizar com o novo negócio.

Ainda assim, o Cade não recomendou barrar a operação por entender que é possível alguns “remédios que mitiguem riscos à concorrência”. O objetivo é exigir um plano de desinvestimentos do novo negócio que envolva a venda de ativos a concorrentes, condicionando a aprovação a um Acordo em Controle de Concentrações (ACC).

“A decisão do Cade deixa claro que a principal concentração nos mercados é no segmento de locação de veículos. Os segmentos de frotas e carros usados não devem gerar concentração, dado que são mercados diferentes. Isso também facilita a fusão”, destacou Melo.

O órgão deve emitir uma decisão final sobre a fusão até o dia 6 de outubro, informaram ambas as companhias em fatos relevantes. Mesmo ao fim do prazo, o período de análise ainda pode ser postergado em 90 dias.