Fundos em baixa: captação líquida cai 104% é a menor dos últimos cinco anos, diz Anbima

Multimercados e fundos de ações estão entre as principais baixas em captação no acumulado até o 3º tri
Fundos de investimento registram resgates líquidos de R$ 17,1 bilhões no acumulado de 2022 (Getty/Getty Images)
Fundos de investimento registram resgates líquidos de R$ 17,1 bilhões no acumulado de 2022 (Getty/Getty Images)
Beatriz Quesada
Beatriz Quesada

Publicado em 06/10/2022 às 11:52.

Última atualização em 06/10/2022 às 15:26.

Os fundos de investimento perderam apelo para o investidor ao longo de 2022 e o segmento registrou a menor captação líquida dos últimos cinco anos. 

Dados levantados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que a captação líquida caiu 104%, passando de R$ 417,7 bilhões captados no acumulado até setembro do ano passado para um saldo de R$ 17,1 bilhões em resgates no mesmo período de 2022. 

Anbima: balanço de fundos até setembro de 2022

(Anbima/Divulgação)

A explicação para a baixa, segundo a Anbima, está na alta da Selic. A taxa básica de juros saltou de 2% para 13,75% ao ano entre janeiro de 2021 e setembro deste ano, levando a uma mudança na carteira dos investidores.

“É um movimento que demonstra uma realocação de risco dos investidores, saindo de produtos mais arriscados [como os fundos] e indo para opções mais conservadoras em renda fixa. É um movimento inverso ao que ocorreu nos últimos anos, quando os juros estavam baixos e investidores buscavam maior risco”, avaliou Pedro Rudge, vice-presidente da Anbima e fundador da Leblon Equities, em coletiva com jornalistas nesta quinta.

A aversão a risco tirou dinheiro, principalmente dos fundos de ações e multimercados. Os de ações tiveram resgates R$ 57,9 bilhões até setembro deste ano, contra uma captação de R$ 9,4 bilhões no mesmo período do ano passado – uma queda de 715%.

Em termos absolutos, as principais baixas vieram do segmento de multimercados, que registrou um saldo negativo de R$ 79,7 bilhões no acumulado deste ano, uma queda de 192% frente à captação de R$ 85,7 bilhões no ano passado.

Vale lembrar que o segmento apresentou a melhor rentabilidade entre os fundos de investimento no período. Os fundos multimercado macro, por exemplo, tiveram rentabilidade de 15,7%, enquanto os multimercado livre registraram rentabilidade de 8,2% – ambas acima do Ibovespa, que teve ganhos de 5% no período.

“As decisões de investimento não devem ser tomadas de olho no retrovisor, afinal, retorno passado não é garantia de rentabilidade futura. Ainda assim, nem sempre o investidor tem visão de longo prazo. Quando a aversão a risco aumenta, ele prefere ir para instrumentos mais conservadores mesmo que a classe dos multimercados continue com um potencial interssante”, afirmou Rudge.

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A busca por produtos mais conservadores foi vista também dentro da indústria de fundos, com os produtos de renda fixa registrando a maior captação do segmento, de R$ 94,7 bilhões. O número, no entanto, ficou aquém dos R$ 239,1 bilhões captados no mesmo período de 2021.

Para o vice-presidente da Anbima, a explicação pode estar na isenção de imposto oferecida por produtos de renda fixa. “O que motiva a migração é a alta taxa de juros e a atratividade de produtos isentos. Vimos muitas emissões de CRI, CRA, LIG, que tem uma rentabilidade final muito atraente para o investidor”, disse.