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Fundos de pensão nunca investiram tanto em renda fixa, segundo Abrapp

Proporção em renda variável tem caído gradativamente desde 2021 e encerrou julho em 14,8%

Cofrinho: Renda fixa atinge 78,4% da carteira dos fundos de pensão (Getty/Getty Images)

Cofrinho: Renda fixa atinge 78,4% da carteira dos fundos de pensão (Getty/Getty Images)

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Guilherme Guilherme

15 de outubro de 2022, 08h19

Os fundos de pensão brasileiros encerraram julho com R$ 843,53 bilhões em investimentos em renda fixa, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) apresentados à imprensa nesta sexta-feira, 14.

O montante representa 78,6% da carteira do fundos. A propoção em renda fixa é a maior, pelo menos, desde 1991, data do mais antigo levantamento da carteira consolidada dos fundos de pensão.

A maior concentração em renda fixa vai na contramão do movimento recente de maior alocação em renda variável, que foi reduzida para 14,8% do portfólio. Em 2020, o percentual chegou a 20,4%, ainda assim, muito distante dos patamares de 1994, quando ações representavam quase 40% da carteira dos fundos de pensão. Em 2021, a proporção da renda variável foi de 15,8%.

Os investimentos no exterior, classificados em uma categoria a parte, também caíram desde o ano passado, de 1,6% para 0,9% do portfólio total. Parte dessa alocação já começou a ser retomada entre o meses de agosto e setembro, segundo Luís Ricardo Martins, Diretor-presidente da Abrapp.

"Houve um movimento de diminuição da renda variável nos últimos anos por conta da volatilidade", disse Martins em coletiva de imprensa.

Os fundos de pensão acumulam nos sete primeiros meses do ano déficit líquido de R$ 52,8 bilhões, o maior desde 2016, quando o saldo foi negativo em R$ 53,5 bilhões.

Martins atribuiu o déficit a fatores conjunturais. "A razão foi a alta da taxa de juros, que foi de 2% para 13%. A razão foi a Guerra da Ucrânia, a pandemia, que ainda apresenta efeitos e também o processo eleitoral, que traz uma oscilação no mercado. É uma oscilação dentro da nossa economia e mundial." Apesar dos efeitos negativos, o presidente da Abrapp disse que a perspectiva é otimista, dado as políticas de longo prazo.

Ainda que menor em participação, Martins disse que o desempenho da bolsa segue de extrema importância para os fundos de pensão. "Nossa projeção é de que, se o Ibovespa fechar o ano em 119.000 pontos, bateremos as metas atuariais", afirmou.

Segundo Martins, houve uma reversão do déficit em cerca de R$ 10 bilhões no mês de agosto e o desempenho de setembro também tem sido positivo. "Temos visto uma recuperação, dado o cenário brasileiro de diminuição da taxa do desemprego, ainda que pequena, e crescimento do PIB."

Sucessão na Abrapp: Jarbas de Biagi deve ser novo presidente

Martins também falou sobre sua saída da Abrapp, após dois mandatos. As eleições, segundo ele, devem ser realizadas com chapa única, tendo Jarbas de Biagi como presidente e Cláudia Trindade na vice-presidência."Estamos estruturando um programa para dar continuidade a tudo que fizemos. Acho que cumpri meu papel."

O mandato, que irá até 2024, será "tampão", com a entidade passando a ser conduzida por um presidente profissional a partir de 2025.

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